Presidente do Iêmen faz oferta de diálogo

Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh diz que pode moderar negociações, mas oposição rejeita medida enquanto violência continuar

, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

SANAA

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, ofereceu-se ontem para supervisionar o diálogo entre o partido governista e a oposição com o objetivo de acalmar os protestos que já duram 11 dias em pelo menos quatro cidades do país e já deixaram 8 mortos.

"O diálogo é o melhor caminho, e não a sabotagem e o bloqueio de estradas", disse Saleh, em entrevista coletiva, alertando para a existência de "pessoas infiltradas" no país que estariam procurando dividir a população e "sabotar" seu governo. "Estou pronto para sentar à mesa de negociações e cumprir as demandas que forem legítimas."

Um grupo de opositores, porém, rejeitou a oferta de Saleh, há 32 anos no poder, enquanto as forças de segurança iemenitas continuarem reprimindo os protestos. "Não haverá diálogo com balas, porretes e comportamento violento", afirmou o grupo em nota.

Saleh já fez uma série de concessões para tentar pôs fim às manifestações - entre elas, prometeu que deixaria o cargo após o fim de seu mandato, em 2013, e disse que não passaria o poder a seu filho. No entanto, os protestos continuam.

Ontem, cerca de 3 mil estudantes universitários participaram de uma marcha na capital, Sanaa. Manifestações também foram registradas no distrito de Mansoura, em Áden, na cidade de Taiz e na Província de al-Hadida.

Um funcionário do sistema de saúde da cidade deÁden, no sul do país, disse ontem que um jovem de 16 anos morreu após ser gravemente ferido em um protesto, aumentando para oito o número de mortos em todo o país desde que os protestos começaram.

Movimento separatista. O líder do separatista Movimento do Sul do Iêmen, Hasan Baoum, foi detido ontem em Áden.

De acordo com informações da família do separatista, Baoum foi detido por um "grupo militar armado" em um hospital, onde estava sendo tratado. O Sul do Iêmen era uma nação independente, mas se uniu ao Norte em 1990. Uma tentativa do Sul de separar as regiões em 1994 foi brutalmente reprimida pelo Exército e líderes tribais aliados a Saleh.

O Iêmen é uma sociedade tribal na qual quase todos os homens adultos têm uma arma em casa. Segundo analistas, se as maiores tribos do país se juntassem às manifestações e decidirem escolher lados entre Saleh e a oposição o futuro do país estaria decidido. / AP e REUTERS

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