Presidente do Iêmen não assina acordo para deixar cargo

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, reiterou hoje que não assinará um acordo para deixar o posto, a menos que representantes da oposição compareçam a uma cerimônia para a assinatura do documento, em seu palácio. A afirmação foi feita durante um discurso na televisão estatal.

AE, Agência Estado

22 de maio de 2011 | 14h14

Partidários do presidente bloquearam ruas na capital do Iêmen, Sanaa, neste domingo, após o líder impor novas condições para assinar um acordo mediado por países do Golfo para encerrar os sangrentos protestos contra os 33 anos de regime de Saleh.

Em comunicado, o partido governista afirmou que não reconhece a assinatura da oposição no plano. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que é preciso que Saleh feche o acordo e ceda poder para encerrar a crise.

Partidários de Saleh também fecharam o acesso ao palácio presidencial, segundo um correspondente da France Presse no local. Eles usaram pedras para bloquear rodovias que levam ao aeroporto e também à Praça Tahrir, perto da sede do governo. Porém a oposição promete seguir com os protestos, que já duram quatro meses, até que Saleh assine o acordo.

"Se Saleh não assinar, a revolta irá explodir e ele será deposto", afirmou mais cedo Mohammed al-Qahtan, porta-voz do grupo oposicionista Fórum Comum. Centenas de milhares de partidários de Saleh foram às ruas de Sanaa neste domingo, no maior ato desde o início dos protestos, em janeiro.

A agência estatal Saba citou um comunicado do governista Congresso Geral do Povo, segundo o qual o acordo precisa ser assinado no palácio presidencial, com a presença de todas as partes. Assim, para a sigla uma assinatura a portas fechadas não pode ser reconhecida "e reflete más intenções", aparentemente em referência ao fato de a oposição assinar o texto no fim do sábado. Porém Qahtan disse que seu grupo não pretende fechar o acordo no palácio presidencial.

Fontes na oposição disseram no sábado esperar que Saleh assine o acordo neste domingo. Por esse texto, o presidente precisará entregar o poder ao vice-presidente em 30 dias, e em troca terá imunidade judicial. Um governo de união nacional será então formado e eleições posteriormente convocadas.

Desde o final de janeiro, forças de segurança realizam uma violenta repressão aos protestos pelo fim do governo de Saleh. Pelo menos 180 pessoas morreram na repressão, segundo ativistas e médicos. As informações são da Dow Jones.

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