Presidente do Iêmen oferece deixar o cargo até janeiro

Oposição se enfurece com declaração e mantém protestos que já mataram mais de 80 pessoas

, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

SANAA

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, prometeu ontem que deixará o cargo até janeiro de 2012, enfurecendo a oposição ao seu regime. No mesmo dia, milhares de manifestantes voltaram às ruas de Sanaa para ocupar a "Praça da Mudança" - como foi batizado o epicentro dos protestos que há mais de um mês exigem a saída imediata do presidente, no poder há 32 anos.

De acordo com o cálculo da Associated Press, desde o início das manifestações mais de 80 pessoas foram mortas pelas forças de segurança leais ao presidente em várias cidades do Iêmen. Na sexta-feira, franco-atiradores assassinaram 52 opositores na praça que concentra os protestos em Sanaa.

O general Ali Mohsen al-Ahmar, comandante de uma das mais poderosas divisões do Exército iemenita, que retirou seu apoio ao presidente na segunda-feira, emitiu um comunicado ontem aos manifestantes declarando que a "era dos golpes militares acabou" e prometendo proteger a "revolução da juventude".

Vários outros militares, além de embaixadores, parlamentares e governadores provinciais, seguiram Al-Ahmar em sua decisão de retirar o apoio a Saleh. Fontes médicas informaram ontem que um agente da guarda presidencial e um soldado rebelado morreram depois que um batalhão insurgente foi cercado pelas tropas de Saleh em Mukalla, no sul do Iêmen, na noite de segunda-feira.

Para tentar acalmar os ânimos dos manifestantes, o presidente já havia anunciado que não concorreria à reeleição em 2013. Ontem, o líder iemenita alertou para o risco de "guerra civil", caso deixe o poder antes do início de 2012, e pediu diálogo à juventude do país.

Na segunda-feira, a França tornou-se o primeiro país do Ocidente a pedir publicamente a saída de Saleh. O chanceler francês, Alain Juppé, disse que o passo é "inevitável".

Aliados do regime por causa do combate iemenita à Al-Qaeda, os EUA afirmaram ontem estar "preocupados com a instabilidade no Iêmen", conforme expressou o ministro da Defesa americano, Robert Gates. Sua maior preocupação é que a revolta tire a atenção do combate à organização terrorista. Ontem, ao menos 12 supostos radicais foram mortos por forças iemenitas em Abyan - dois soldados também morreram no confronto. / AP e REUTERS

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