Presidente do Iêmen recusa proposta para deixar o cargo

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, rejeitou hoje a proposta feita por países árabes do Golfo Pérsico para que ele deixasse o cargo antes do final do seu mandato, em 2013. Saleh, um importante aliado dos Estados Unidos no combate à Al-Qaeda, tenta se manter no poder apesar dos dois meses de protestos diários realizados por cidadãos cansados da extrema pobreza e da falta de liberdades políticas.

AE, Agência Estado

11 de abril de 2011 | 17h34

O governo respondeu reprimindo os manifestantes, que se inspiraram em levantes populares realizados na Tunísia e no Egito. Alguns episódios de confronto entre manifestantes e forças de segurança terminaram com mortes, que somam mais de 120 desde que os protestos tiveram início, em meados de fevereiro.

Os crescentes tumultos no Iêmen fizeram com que os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) - um bloco regional de países ricos em petróleo que inclui a Arábia Saudita - pedissem ontem que Saleh deixasse o cargo, como parte do acordo com o movimento manifestante que exige sua saída após, 32 anos de governo. Na semana passada, Saleh rejeitou outra oferta de mediação feita pelo grupo, que havia convidado Saleh e o grupos de oposição para irem até a Arábia Saudita negociar uma proposta.

A oferta apresentada ontem pelo CCG não especifica um período para a transferência de poder de Saleh para seu vice e inclui proteções para ele e sua família contra processos por crimes cometidos durante seu governo, condição rejeitada pela oposição. As exigências dos manifestantes incluem fazer com que Saleh seja levado à Justiça.

A resposta de Saleh foi feita por meio de um comunicado do palácio presidencial, que destacava que o presidente "tem expressado repetidamente que não tem reservas à pacífica transferência de poder no âmbito da Constituição", que permite a ele se manter no cargo até as eleições de 2013.

O documento diz que a oferta do CCG foi a "base para o diálogo que vai permitir ao país evitar os infortúnios do caos, da destruição, da ruptura da segurança e da ordem pública e da paz social". Mas partidários e grupos pró-governo foram além das palavras cuidadosas do presidente e rejeitaram a oferta do CCG como "uma flagrante interferência nos assuntos internos do Iêmen".

Segundo a agência oficial de notícias SABA, o grupo condenou o CCG e disse que a medida "vai contra a vontade do povo iemenita". Já os manifestantes contrários ao governo querem a saída de Saleh e que ele e sua família sejam julgados. Wassim al-Qarshi, um dos organizadores dos protestos diários na capital Sanaa, disse que "o povo está determinado a continuar os protestos em praças públicas até que sua exigência seja atendida".

Mantendo a pressão, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas das maiores cidades do país hoje. Em Sanaa, os protestos incluíram um considerável número de mulheres. Também ocorreram marchas nas principais ruas de Taiz e Áden.

Também hoje, tropas do Iêmen mataram 11 militantes da rede terrorista Al-Qaeda, durante um confronto no sul do país, informou o Ministério de Defesa. O confronto foi um "duro golpe para a Al-Qaeda", disse o ministério em comunicado em seu site, acrescentando que dois soldados iemenitas também foram mortos e cinco ficaram feridos durante os combates na província de Abyan. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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