Fars News Agency via AP
Fars News Agency via AP

Irã promete retaliar o assassinato do cientista nuclear

Presidente iraniano acusa Israel de assassinar Mohsen Fakhrizadeh, morto a tiros na sexta-feira e considerado pelo Ocidente como arquiteto do programa nuclear militar secreto de Teerã

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2020 | 05h21
Atualizado 29 de novembro de 2020 | 00h17

DUBAI - Neste sábado, 28, o presidente iraniano Hassan Rouhani acusou Israel de matar o principal cientista nuclear do país, considerado pelo Ocidente o arquiteto do programa nuclear militar secreto de Teerã. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que as autoridades devem investigar o crime e punir os "autores e seus comandantes".

Rouhani prometeu retaliar o assassinato de Mohsen Fakhrizadeh que aconteceu na sexta-feira, o que eleva ainda mais as tensões na região do Oriente Médio e além.

"Nosso povo é muito sábio para cair na armadilha do regime sionista (Israel) ... O Irã certamente responderá ao martírio de nosso cientista no momento adequado", disse Rouhani em uma reunião de gabinete transmitida pela televisão.

"Mais uma vez, as mãos malignas da Arrogância Global e dos mercenários sionistas (israelenses) foram manchadas com o sangue de um filho iraniano", disse Rouhani em um comunicado no sábado, acrescentando que a morte de Fakhrizadeh não retardará o trabalho nuclear iraniano.

Por meio de sua conta no Twitter, Ali Khamenei disse que o cientista foi martirizado por "mercenários brutais" e que "todas as autoridades relevantes devem colocar duas questões cruciais em suas agendas: primeiro, investigar este crime e punir firmemente os autores e seus comandantes, e, segundo, dar continuidade aos esforços científicos e tecnológicos do mártir em todos os setores em que ele estava ativo". 

Israel se recusou a comentar sobre o assassinato.

A morte de Fakhrizadeh pode provocar confrontos entre o Irã e seus inimigos nas últimas semanas da presidência de Donald Trump nos Estados Unidos. Também pode complicar qualquer esforço do presidente eleito Joe Biden para reviver a calma da presidência de Barack Obama assim que ele assumir o cargo em janeiro.

A Casa Branca, o Pentágono, o Departamento de Estado dos EUA e a CIA se recusaram a comentar, assim como a equipe de transição de Biden.

Pelo menos quatro cientistas foram mortos entre 2010 e 2012 no que Teerã disse ser um programa de assassinatos com o objetivo de sabotar seu programa de energia nuclear. O Irã sempre negou perseguir armas nucleares.

A agência de notícias semi-oficial Tasnim informou que depois que um carro carregado de explosivos explodiu perto do veículo de Fakhrizadeh por volta das 14h30, horário local, um dos assassinos começou a atirar em seu carro.

Ele disse que um dos guarda-costas de Fakhrizadeh foi baleado quatro vezes e Fakhrizadeh foi transportado de helicóptero para um hospital na cidade de Absard, no condado de Damavand, cerca de 70 quilômetros a leste de Teerã. O cientista morreu no hospital.

Uma testemunha disse à TV estatal que houve repetidos tiros e que os guarda-costas de Fakhrizadeh entraram em confronto com os assassinos./Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.