EFE/JUSTIN LANE
EFE/JUSTIN LANE

Presidente do Irã admite que país pode enfrentar problemas caso acordo nuclear seja anulado

Autoridades tentam demonstrar calma e segurança diante do provável fim do pacto; chefe do Banco Central diz que nenhum problema será criado para a economia nacional

O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 11h29

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani admitiu nesta terça-feira, 8, que o Irã poderia enfrentar problemas caso o acordo nuclear não seja mantido. A declaração aconteceu poucas horas antes de o presidente americano, Donald Trump, anunciar sua decisão sobre o pacto, marcada para a tarde desta terça-feira.

Sem se referir diretamente a Trump, Rohani afirmou, durante conferência em Teerã, que "é possível que enfrentemos alguns problemas por dois ou três meses, mas nós vamos passar por isso". Ele ressaltou que o Irã quer continuar "trabalhando com o mundo e no engajamento construtivo com o mundo". A declaração indica um aceno para a Europa, que fechou uma série de negócios com o país desde que o acordo foi assinado, em 2015.

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O país provavelmente espera que a União Europeia promulgue leis para proteger empresas europeias de possíveis sanções americanas. Ainda nesta terça-feira, Trump e os Estados Unidos foram criticados pelo primeiro vice-presidente iraniano, Eshaq Jahangiri, um político popular e reformista que já foi sugerido como um possível candidato presidencial para a eleição de 2021.

"Hoje, a maior potência do mundo está gritando que não aceita [o acordo]. Ele acrescentou que cabe aos americanos a decisão sobre o pacto, mas que a partir de agora apenas países ingênuos aceitariam fazer negociações com os EUA. Jahangiri ressaltou ainda que o Irã está preparado para qualquer que seja a decisão de hoje. "Estamos prontos e temos planos para gerir o país sob qualquer circunstância."

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Seus comentários sugerem uma virada política contra uma possível reaproximação com o Ocidente caso Trump desista do acordo nuclear, especialmente por seu posicionamento reformista - Jahangiri defende a mudança para o governo teocrático.

O momento de decisão acontece enquanto Trump se prepara para a cúpula com o supremo líder norte-coreano Kim Jong-un. Dentre as questões discutidas entre os dois estarão, sem dúvida, o programa de armas atômicas da península coreana.

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O acordo

O pacto nuclear do Irã de 2015 impôs restrições ao programa nuclear da república islâmica em troca da retirada da maioria das sanções americanas e internacionais contra Teerã. No entanto, a negociação foi estabelecida com alguns prazos e não abordou o programa de mísseis balísticos ou as políticas regionais.

Trump repetidamente apontou para tais aspectos e se referiu ao acordo como "o pior negócio de todos os tempos". Apesar disso, defensores do pacto disseram que os prazos do documento deveriam encorajar mais discussões futuras sobre as demais preocupações com o Irã.

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Rohani sorriu enquanto falava ao público nesta terça-feira e procurou demonstrar calma. Enquanto isso, o presidente do parlamento iraniano, Ali Larijani, disse que a saída de Trump do acordo aumentaria a união entre os iranianos. Também nesta terça-feira, o Parlamento discutiu, em sessão fechada, a possível saída dos EUA do pacto. / AP

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