Presidente do Irã alerta para perigo da falta de liberdade

Num duro ataque aos amplos poderes dos conservadores que controlam o país, o presidente do Irã, Mohammad Khatami, aproveitou as celebrações do 25º aniversário da Revolução Islâmica para condenar a restrição às liberdades políticas e advertir sobre uma "ameaça à nação" que poderia ser difícil de conter. A advertência de Khatami pode intensificar a disputa política antes das eleições parlamentares de 20 de fevereiro, que serão boicotadas por muitos reformistas."Eleições são um símbolo da democracia caso elas sejam promovidas corretamente", afirmou Khatami a uma multidão reunida numa praça de Teerã para comemorar a queda da monarquia apoiada pelos EUA, em 1979. "Se elas forem restringidas, é uma ameaça à nação e ao sistema. Esta ameaça é difícil de reverter".As declarações de Khatami revelam a profundidade da turbulência política atual no Irã. Normalmente, as comemorações do aniversário da revolução são dominadas por previsíveis elogios à luta islâmica e por denúncias dos "inimigos" liderados pelos Estados Unidos. Khatami rompeu com a tradição ao usar o discurso para expressar sua frustração com as táticas da linha-dura, que jogaram o Irã na sua pior crise desde a revolução.Khatami curvou-se a pressões da poderosa teocracia e concordou em realizar as eleições. Mas ele adiantou que a votação para o Parlamento de 290 cadeiras será injusta, porque milhares de candidatos reformistas foram impedidos de participar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.