Presidente do Irã ameaça "cortar as mãos" dos agressores

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ameaçou nesta terça-feira "cortar as mãos dos que planejem agredir" a República Islâmica, em um discurso a oficiais militares por ocasião do Dia do Exército. Para ele, o Exército do Irã "está hoje entre os mais poderosos do mundo porque conta com Deus". "Os inimigos do Irã conhecem sua coragem, fé e comprometimento com o Islã. A terra do Irã criou um poderoso Exército que pode defender poderosamente as fronteiras políticas e a integridade da nação iraniana e que cortará as mãos de qualquer agressor e marcará sua testa com o sinal da desgraça", disse o líder iraniano. Entretanto, ele garantiu que "o poder de nosso Exército não será ameaça a nenhum país. Nosso Exército carrega a mensagem da paz e da segurança. Ele é humilde frente a amigos e um meteoro frente a seus inimigos". Impasse nuclear Os comentários de Ahmadinejad, antecedendo uma parada militar em que foi mostrado o moderno equipamento militar iraniano, ocorrem num momento de escalada da tensão entre o Irã e a comunidade internacional devido à negativa de Teerã de suspender o enriquecimento de urânio em suas usinas nucleares. Os Estados Unidos, Israel, Grã-Bretanha, Japão, França e Alemanha acusam o Irã de estar usando seu programa nuclear civil como cobertura para a produção de armas nucleares. A República Islâmica garante que constrói instalações atômicas apenas para a geração de energia. França, Rússia, Inglaterra, EUA e China, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e a Alemanha se reunirão em Moscou para discutir as medidas que podem ser tomadas contra o Irã se o país negar-se a acatar orientação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e suspender até 28 de abril o enriquecimento de urânio em seu território, informaram fontes diplomáticas. A reunião deve ser realizada na quarta-feira Mas a Rússia já adiantou que se opõe à imposição de sanções contra o Irã e defendeu o caminho das negociações. "Estamos convencidos de que é impossível acabar com as preocupações da comunidade internacional sobre o programa nuclear iraniano com sanções ou o uso da força", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior russo, Mikhail Kamynin. Em Washington, o presidente George W. Bush não descartou o uso da força, insistindo que "todas as opções estão sobre a mesa" para evitar que o Irã desenvolva armas nucleares.

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