Presidência do Irã/AP
Presidência do Irã/AP

Presidente do Irã critica polícia da moral do país

Hassan Rohani adotou uma posição clara contra os mais conservadores, que em geral se opõem às negociações com o Ocidente sobre o programa nuclear do país

O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 20h02

TEERÃ - Antes do verão no Irã, quando os conservadores querem que as mulheres na República Islâmica usem véus e se cubram seguindo seus padrões, o presidente do país, Hassan Rohani, se afastou das posições da polícia que cuida das regras de moralidade. Ao fazê-lo, o presidente adotou uma posição clara contra os mais conservadores, que em geral se opõem às negociações com o Ocidente sobre o programa nuclear do país.

Por duas vezes nos últimos dias, Rohani deu declarações sobre o assunto, incluindo uma delas em discurso transmitido pela televisão estatal iraniana. Ele disse que a polícia é responsável por garantir a lei, não por diferentes interpretações do Islã. Segundo ele, não se pode dizer a todos que cada um pode interpretar o Islã como deseja, ou "isso levaria ao caos total".

Na semana passada, o aiatolá Mohammad Yazdi, chefe da poderosa Assembleia dos Especialistas, disse que o Executivo precisa reforçar o Islã, ou perderá legitimidade no país, uma teocracia onde o aiatolá Ali Khamenei é o líder supremo.

Rohani tem encorajado a tolerância em questões sociais desde que assumiu a presidência, especialmente com relação às mulheres. Muitas delas andam pelas ruas com blusas apertadas ou coloridas, com o véu solto que permite deixar o cabelo em parte aparente, o que enfurece os conservadores.

Apesar das aberturas do presidente, porém, os limites permanecem claros no Irã. No ano passado, jovens iranianos e mulheres sem véu que fizeram um vídeo dançando juntos a música Happy, de Pharrell Williams, acabaram detidos por supostamente desrespeitar as normas islâmicas. / ASSOCIATED PRESS

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