Presidente do Irã denuncia prisão de seus aliados

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou hoje a onda de detenções de seus aliados e disse que as prisões são em parte uma campanha "politicamente motivadas" com o objetivo de enfraquecer seu governo e mostrar o poder das forças linhas-duras leais aos clérigos que governam o país. As acusações destacam sua transição de filho favorito da teocracia para um suposto adversário, depois de ter tentado expandir a autoridade da presidência e conter o controle dos clérigos sobre as políticas do país.

AE, Agência Estado

29 de junho de 2011 | 16h42

Dezenas de aliados do presidente foram detidos nos últimos meses, dentre eles quatro graduados integrantes de seu governo, presos na semana passada. "Estas medidas (as prisões) têm motivação política. Está claro para nós que têm como objetivo pressionar o governo", disse Ahmadinejad, segundo a agência oficial de notícias Irna. Ele também advertiu as autoridades a manter os expurgos políticos longe dos ministros de seu governo. "O gabinete é a linha vermelha", disse. "Mas se meus colegas são acusados, eu tenho a responsabilidade legal de me levantar e defendê-los."

Para Ahmadinejad, a demonstração de força o deixou politicamente enfraquecido há quase dois anos do final de seu segundo e último mandato, o que sugere que os clérigos vão manter a rédea curta e não devem oferecer qualquer alteração significativa no impasse com o Ocidente sobre o programa nuclear iraniano.

Aparentemente, os clérigos vão bloquear qualquer pessoa que Ahmadinejad tente promover como seu sucessor. Ele também enfrenta obstáculos para promover a candidatura de mais aliados políticos nas eleições programadas para o ano que vem. Os linhas-duras foram responsabilizados pela prisão de seu chefe de gabinete, Esfandiar Rahim Mashaei, acusado de ser o líder de uma "corrente desviante" que questionaria o sistema de governo clerical estabelecido pela revolução islâmica de 1979.

A hierarquia iraniana continua sem alterações. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, tem a palavra final em todas as decisões importantes. Mas Ahmadinejad tem sido alvo de uma reação por tentar impor uma maior autonomia na execução do governo. Ele foi contrário à escolha de Khamenei para o poderoso Ministério da Inteligência e permaneceu leal a Mashaei.

Na semana passada, o recém nomeado ministro de Relações Exteriores foi forçado a deixar o cargo sob pressão de linhas-duras que o viam como alguém muito próximo ao chefe de gabinete. Em sua carta de renúncia, Mohammad Sharif Malekzadeh reclamou sobre "manipulações covardes e grandes injustiças" feitas por seus críticos. Ele foi detido dois dias depois.

Ahmadinejad parecia estar fazendo de Mashaei, seu herdeiro político para a eleição presidencial de junho de 2013. Mas os ataques dos ultraconservadores contra Mashaei praticamente paralisam sua carreira política. Ahmadinejad saiu em defesa de Mashaei, cuja filha é casada com o filho do presidente. As informações são da Associated Press.

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