John Moore/Getty Images/AFP
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Presidente do Irã diz que país inicia 'novo capítulo' após acordo sobre programa nuclear

Rohani defendeu um esforço coletivo global para enfrentar o terrorismo e o extremismo

Cláudia Trevisan. ENVIADA ESPECIAL/NOVA YORK, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2015 | 14h35

NOVA YORK - O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse na manhã desta segunda-feira, 28, na Organização das Nações Unidas (ONU) que seu país iniciou “um novo capítulo” em seu relacionamento com o mundo depois da assinatura do acordo internacional em torno de seu programa nuclear, que permitirá o levantamento de sanções econômicas impostas a Teerã. “Nós não vamos esquecer o passado, mas não queremos viver no passado”, declarou.

Como o russo Vladimir Putin, ele defendeu um esforço coletivo global para o enfrentamento do terrorismo e do extremismo, que afeta de maneira mais intensa o Oriente Médio e o Norte da África. Também propôs que a ONU adote um compromisso que proíba a intervenção unilateral em países da região sob o pretexto de combater o terrorismo.

Rohani sustentou que a atual instabilidade que afeta países como Síria e Iraque tem origem nas ações militares dos Estados Unidos na região e seu apoio ao Estado de Israel. Segundo ele, o cenário seria distinto sem as guerras do Afeganistão e do Iraque e o suporte dado pelos americanos a Tel-Aviv, em detrimento dos palestinos. “Os terroristas de hoje não teriam justificativa para seus atos.”

O acordo negociado com os EUA e outras cinco potências mundiais foi apresentado por Rohani como um exemplo de cooperação e diálogo a ser seguido em outros países. “Pela primeira vez dois lados, em vez de negociar a paz depois da guerra, se engajam em diálogo e entendimento antes da erupção do conflito.”

Refletindo a ambição iraniana de ser um líder regional, Rouhani disse que seu país pode ajudar no estabelecimento da democracia na Síria e no Iêmen - da mesma maneira em que, segundo ele, auxiliou o processo no Afeganistão e no Iraque.

O presidente iraniano classificou de “injustas” as sanções impostas ao país pelo Conselho de Segurança da ONU em razão de seu programa nuclear. “O Irã nunca teve intenção de produzir armas nucleares”, ressaltou. Rohani pediu à comunidade internacional que se comprometa com um Oriente Médio livre de bombas atômicas, o que implica a eliminação do arsenal detido por Israel.

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