Presidência do Irã/via AFP
Presidência do Irã/via AFP

Presidente do Irã exige que EUA derrubem sanções para viabilizar reunião

Após encontro entre os líderes quase estar definido, Hassan Rohani pediu a Donald Trump que retome compromissos do acordo nuclear, deixado pelos EUA no ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 18h35

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani, exigiu nesta terça-feira, 27, que os Estados Unidos derrubem todas as sanções contra seu país antes de uma reunião com o presidente americano, Donald Trump.

"A chave para que ocorram desenvolvimentos positivos nas relações dos dois países está nas mãos de Washington", destacou o presidente iraniano em discurso televisionado, no qual disse ser urgente que os EUA se arrependam das punições.

Por isso, a viabilização de qualquer negociação depende de um primeiro passo do governo Trump, segundo Rohani. "Se a outra parte voltar a seus compromissos do acordo nuclear de 2015, o Irã fará o mesmo e resolverá os problemas de maneira lógica", salientou.

Rohani justificou uma tomada de atitude dos EUA pelo fato de o maior receio do país, a produção de armas nucleares iranianas, não existir.

"Não (estamos tentando) fabricar uma bomba nuclear... nossa doutrina militar se baseia em armas convencionais", completou.

Com essas palavras, Rohani reduziu as chances de um encontro com Trump, anunciado na véspera no encontro do G-7 pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que havia expressado a expectativa de acertar a conversa nas próximas semanas.

O próprio Trump deu a entender na segunda-feira ao fim do G-7 um possível avanço na crise iraniana, ao considerar realista uma reunião com Rohani.

Ele afirmou que "certamente estaria disposto" a um encontro e afirmou que o período proposto por Macron parecia realista. Também considerou que o presidente do Irã se mostraria favorável a um acordo.

Trump decidiu reimpor sanções econômicas ao Irã no ano passado após se retirar unilateralmente do pacto nuclear assinado em 2015 com o país do Oriente Médio e outras cinco grandes potências: Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha.

Devido às sanções e ao fracasso dos outros governos de segurá-las, as autoridades iranianas deixaram de cumprir alguns dos seus compromissos com o pacto nos últimos meses.

Em julho, o Irã excedeu o limite de armazenamento de urânio e o nível de enriquecimento, e deve, como lembrou Rohani nesta terça, dar novos passos nessa linha a partir da próxima semana caso não sejam garantidas as suas exportações petrolíferas.

O presidente americano afirmou estar disposto a se reunir com Rohani, mas adiantou que qualquer novo acordo nuclear deveria representar que o Irã não tenha acesso a uma bomba atômica nem desenvolva mísseis balísticos "durante muito mais tempo".

As condições não são simples, já que Teerã insistiu que não vai voltar a negociar os termos do acordo nuclear e que os seus sistemas de mísseis balísticos são uma linha vermelha.

Além disso, não está confiante que um novo pacto será cumprido no futuro pelos EUA e não quer reuniões midiáticas mas sem resultados evidentes, como as de Trump com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un.

"Se alguém quiser tirar uma foto com Hassan Rohani, isso não será possível a menos que suspenda todas as sanções injustas e respeite os direitos da nação iraniana, o que mudará as regras do jogo", finalizou o chefe de governo do Irã.

A possibilidade de negociações diretas com os Estados Unidos é um tema espinhoso no Irã, onde os setores mais conservadores se opõem a qualquer novo diálogo, algo visto como uma humilhação.

O próprio líder supremo, Ali Jamenei, que tem a última palavra nas decisões do país, rejeitou em várias ocasiões negociar com os americanos, uma opção que chamou de "engano" e de "veneno". / EFE e AFP

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