REUTERS/Aziz Taher
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Presidente do Líbano diz a enviado saudita que premiê Hariri precisa voltar ao país

Segundo fontes presidenciais, Michel Aoun afirmou que as circunstâncias da renúncia de Saad Hariri são inaceitáveis; governo saudita alega que político é um homem livre e não participou de sua decisão de deixar o cargo

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 14h40

BEIRUTE - O presidente do Líbano, Michel Aoun, disse a um enviado saudita nesta sexta-feira, 10, que Saad Hariri precisa voltar ao Líbano e as circunstâncias de sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro - estando na Arábia Saudita - são inaceitáveis, disseram fontes presidenciais.

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As autoridades libanesas acreditam que Hariri está detido em solo saudita, disseram à agência de notícias Reuters na véspera duas autoridades de alto escalão do governo libanês, um político próximo de Hariri e uma quarta fonte, em meio a uma crise crescente que está levando o Líbano às linhas de frente de uma disputa de poder entre a Arábia Saudita e o Irã.

O governo saudita diz que Hariri, um aliado de longa data, é um homem livre e não teve nada a ver com sua decisão de anunciar sua renúncia no sábado estando na Arábia Saudita.

Depois do anúncio, a Arábia Saudita acusou o Líbano e seu movimento xiita Hezbollah de declararem guerra aos sauditas. Riad alertou os cidadãos sauditas a não viajarem ao Líbano e a voltarem assim que possível, caso se encontrem no país. Outros países do Golfo Pérsico também emitiram alertas de viagem.

Nesta sexta-feira, o político libanês Walid Jumblatt disse que seu país não merece ser acusado de declarar guerra contra a Arábia Saudita, e disse estar “muito triste” que Riad tenha feito tal acusação após décadas de amizade.

“Nós não merecemos, como libaneses, tais acusações”, disse Jumblatt. “Por décadas, temos sido amigos.”

Essas medidas causaram o temor de que Riad possa adotar ações contra o pequeno Estado árabe, que abriga 1,5 milhão de refugiados sírios.

O Líbano, onde sunitas, xiitas, cristãos e drusos, todos apoiados por potências regionais rivais, se envolveram em uma guerra civil entre 1975 e 1990, mantém um sistema de governo concebido para garantir que todos os grupos sejam representados.

A renúncia do líder político sunita Hariri lançou o Líbano no centro de uma disputa regional entre a monarquia sunita da Arábia Saudita e o Irã islâmico xiita, cujo poderoso aliado Hezbollah tem grande influência.

Um “grupo de apoio internacional” de países preocupados com o Líbano, que inclui EUA, Rússia e França, apelou para que o Líbano “continue a ser blindado das tensões na região”. Em um comunicado, eles também apoiaram o pedido de Aoun pelo retorno de Hariri.

Durante a reunião com o enviado saudita, Aoun expressou preocupação com os relatos sobre as circunstâncias de Hariri e exigiu esclarecimentos, segundo fontes presidenciais.

Hariri, cujo pai foi premiê durante muito tempo - antes de ser morto por uma bomba em 2005 -, disse ao renunciar que teme ser assassinado e culpou o Irã por interferir nos assuntos libaneses. Sua saída acabou com um acordo político entre facções rivais que fez dele o premiê, e Aoun o chefe de Estado, em 2016. / REUTERS

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