Presidente do Líbano diz que Israel ataca às cegas

O presidente do Líbano, Emile Lahoud, acredita que os bombardeios de Israel no sul do país ocorrem às cegas porque, segundo ele, ninguém sabe onde está a estrutura do Hezbollah, uma organização considerada terrorista pela comunidade internacional mas que, segundo ele, todos os libaneses respeitam."Israel, apesar de seus contínuos bombardeios, não conseguiu mostrar até agora nenhuma foto da estrutura da resistência destruída, pela simples razão de que eles não sabem onde ela está. Ninguém sabe onde ela está, daí a natureza do problema", disse Lahoud em entrevista à revista alemã Der Spiegel. "As posições do Exército libanês são conhecidas e, apesar disso, Israel as destrói, como também faz com nossas instalações civis", acrescentou o presidente.Lahoud reiterou suas críticas à operação militar e negou as acusações de que as autoridades de Beirute não foram capazes de estender sua presença para todo o território nacional, seis anos depois da retirada israelense do país. "O Líbano conta com um Exército. Eu mesmo o criei após a guerra civil. É um Exército que integra todos os grupos confessionais do país: muçulmanos, cristãos e drusos. O Exército está aí para velar pela paz interior, não para fazer a guerra", disse.Quanto ao Hezbollah e suas relações com o Governo libanês, Lahoud declarou que esse movimento, o qual chamou de "resistência", conta "com um alto grau de reconhecimento no Líbano". "Eles libertaram o país", afirmou. "Em todo o mundo árabe se escuta que o Hezbollah mantém a honra dos árabes em alta. E posso dizer que (o secretário-geral do Hezbollah, o xeque Hassan) Nasrallah, conta, logicamente, com todo meu respeito", afirmou o presidente do Líbano.Sobre a proposta da ONU de enviar um contingente militar para a fronteira com Israel, Lahoud foi "cético, pois se trata de uma idéia antiga muito difícil de ser aplicada"."As tropas internacionais não ajudarão enquanto o conflito entre Líbano e Israel não for resolvido", argumentou Lahoud, que citou, entre os assuntos pendentes, a libertação dos prisioneiros libaneses em Israel e o retorno de refugiados palestinos no Líbano. O presidente explicou que há atualmente no Líbano meio milhão de refugiados palestinos com uma taxa de nascimento três vezes superior à dos libaneses, o que qualificou de "bomba-relógio"."Essa é a raiz do problema de nosso país, que levou à guerra de 1975 e continua pendente", disse.

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