Presidente do México decreta corte no próprio salário

O presidente Felipe Calderón decretou o corte de 10% no pagamento de seu salário e de seu gabinete, tomando para si a promessa de campanha do rival liberal, vencido por uma pequena margem. Calderón disse na televisão neste domingo que também vai reduzir os gastos governamentais em todas as áreas desde chamadas telefônicas até custos com estrangeiros e que irá agir contra a corrupção."A transparência e o relato dos gastos públicos são responsabilidade de cada governo democrático,? disse Calderón. Ele afirmou que os cortes nos gastos são da ordem de 2,5 bilhões de dólares ou 1,9 bilhões de euros. A quantia será suficiente para a construção de mais de 2.500 escolas no ano que vem. Para o longo prazo, o presidente do México afirmou que irá remeter as contas do governo para o Congresso. O salário dos oficiais mexicanos estão entre os maiores do mundo. O antecessor de Calderón, Vicente Fox ganhou cerca de 245 mil dólares em 2006. No entanto, o salário de Calderón, em 2007, não foi divulgado em sua integralidade. Um político de carreira do Partido Conservador Nacional da Ação, ou PAN, Andres Manuel Lopez Obrador, foi batido por Calderón, por menos de um ponto percentual na última disputa eleitoral ocorrida em julho. Lopez Obrador, um austero viúvo tinha prometido reduzir os mais altos salários de oficiais no México e melhorar as condições de vida de mais de 50 milhões de Mexicanos que vivem na pobreza. Calderón focou sua campanha na lei e ordem e na criação de empregos enquanto acusava o rival de ser extremista que teria posto o México em crise. Por sua vez, Lopez Obrador defendia que Calderón conspirava contra o presidente Fox para chegar à presidência. Na sexta, opositores liberais de Calderón tentaram obstruir uma inauguração com um passeata com milhares de seguidores em um protesto de rua. Calderón prometeu unificar uma nação dividida e adotar algumas propostas da oposição com essa decretada no domingo. No entanto, ele também sinalizou que pode assumir uma postura mais resistente aos protestos do que o antecessor, Vicente Fox. No sábado, Calderón disse que os militares não seriam afetados com o pacote de medidas austeras, embora não haja a promessa de aumento nos salários. Ele ressaltou que as forças armadas tem um papel fundamental no combate aos grupos de tráfico de drogas que aterrorizam a nação. As forças armadas mexicanas participam menos de conflitos internacionais e são usadas preferencialmente para combater os traficantes de drogas, grupos de guerrilha e desastres naturais. Calderón também fez mudanças em ministérios no sábado e domingo.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2006 | 05h10

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