Pedro Pardo/AFP
Pedro Pardo/AFP

Presidente do México diz que oferecerá asilo político a Assange

Andrés Manuel López Obrador comemora decisão da Justiça britânica de não extraditar fundador do WikiLeaks para os EUA e disse ser favorável a perdão para ele

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 19h23

CIDADE DO MÉXICO - O presidente do México,  Andrés Manuel López Obrador, afirmou  nesta segunda-feira, 4, que oferecerá asilo político para o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, depois que a Justiça britânica se recusou a extraditá-lo para os Estados Unidos para ser julgado pela publicação de centenas de milhares de documentos secretos.

"Vou pedir ao Secretário de Relações Exteriores (chanceler) que faça os trâmites correspondentes para que se pergunte ao governo do Reino Unido a possibilidade de que o senhor Assange seja libertado e que o México lhe ofereça asilo político", disse o presidente em sua habitual entrevista coletiva.

O presidente de esquerda comemorou a decisão da Justiça britânica de não extraditá-lo e disse ser favorável ao perdão a Assange. “É um triunfo da Justiça (...) porque Assange é jornalista e merece uma oportunidade”, disse. López Obrador esclareceu que o México oferece asilo com proteção, mas também com a responsabilidade de que o destinatário “não interfira nos assuntos políticos de nenhum país”.

Um juíza britânica rejeitou nesta segunda-feira a extradição de Assange para os Estados Unidos, considerando que, se o fizesse, ele poderia cometer suicídio. 

“O México tem uma longa história de asilo, foi demonstrado em muitos conflitos, como a Guerra Civil Espanhola, com o ex-presidente boliviano Evo Morales (em 2019) e com outros atores”, disse o analista internacional Adolfo Laborde.

Entre os exilados recebidos no México estão o revolucionário russo León Trotsky, o rebelde nicaraguense César Augusto Sandino, o cineasta espanhol Luis Buñuel e Hortensia Bussi, viúva do presidente chileno Salvador Allende.

Laborde considera que o resultado dos esforços do México dependerá "da pressão política dos atores envolvidos, do Reino Unido e da decisão dos países que possam ter interesse em que Assange não saia" do território britânico.

Para Arturo Sarukhán, ex-embaixador do México nos Estados Unidos, a decisão de López Obrador trará atrito com o próximo governo do democrata Joe Biden.

Segundo Sarukhán, o governante mexicano parece ignorar ou decidir ignorar o papel que Assange desempenhou na campanha presidencial dos EUA em 2016 com a invasão dos emails da campanha democrata. "Dessa forma, ele (López Obrador) transforma essa questão em outra frente potencial de atrito com a próxima administração dos EUA", disse.

Assange, de 49 anos, está detido na prisão de Belmarsh, em Londres, há 20 meses, desde sua espetacular prisão em abril de 2019 na Embaixada do Equador no Reino Unido, onde viveu como refugiado por sete anos.

Assange e WikiLeaks se tornaram famosos em 2010 após a publicação de cerca de 700 mil documentos militares e diplomáticos confidenciais que colocaram os Estados Unidos em um dilema.

Washington o acusa de colocar em risco a vida de seus informantes ao publicar documentos secretos sobre as ações militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que revelaram atos de tortura, mortes de civis e outros abusos./AFP 

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