Presidente do México enfrenta suspeitas de corrupção

A reputação do presidente do México, Enrique Peña Nieto, foi posta em xeque após uma reportagem revelar que a primeira-dama comprou uma mansão avaliada em US$ 7 milhões do Grupo Higa, vencedor de importantes licitações realizadas pelo governo federal.

Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2014 | 09h49

A polêmica surge dias após Nieto suspender um contrato de US$ 3,7 bilhões para a construção de uma linha de trens de alta velocidade. A decisão foi tomada após companhias como a Bombardier e a Alstom criticarem o período de apenas dois meses dado para a elaboração das propostas do leilão. O consórcio de empresas chinesas que havia vencido a licitação tem relações com o Grupo Higa.

A mansão da primeira-dama Angéica Rivera, uma ex-atriz de novelas mexicanas, pertence à companhia Ingenieria Inmobiliaria del Centro, relacionado ao Grupo Higa. Segundo informou Eduardo Sánchez, um porta-voz da Presidência, ao The Wall Street Journal, o imóvel tem seis quartos e se localiza em um dos bairros mais exclusivos da Cidade do México.

Sánchez esclarece que Rivera deu uma entrada de 30% no valor do imóvel em janeiro de 2012, sete meses antes de seu marido assumir o governo do México, e que o restante tem sido pago em parcelas sem atrasos. Com o fim dos pagamentos, o imóvel será transferido para o seu nome. O valor pago pela mansão não foi nomeado, bem como os termos do contrato, pois a família de Nieto optou por se valer de uma nova resolução que não obriga que o patrimônio da primeira-dama seja divulgado.

O caso pode levantar questionamentos sobre os laços entre as construtoras do país e o presidente em uma época em que o governo está engajado em grandiosos projetos de infraestrutura, assim como na abertura do mercado de energia à iniciativa privada - algo considerado politicamente sensível.

Além de integrar o consórcio vencedor do contrato dos trens e ser dono da mansão da primeira-dama, o Grupo Higa acumula ganhos na gestão Nieto. Uma empresa chamada Constructora Teya venceu um contrato de US$ 500 milhões para a construção de um hospital público, enquanto uma empresa chamada Eolo Plus, do dono do Grupo Higa, alugou jatos particulares na campanha presidencial de Nieto.

"Isso parece um ato de corrupção ou de tráfico de influência, o que irá impor um forte golpe à imagem do presidente", diz José Antonio Crespo, analista político no centro de pesquisa de Ciência Sociais CIDE.

A controvérsia a respeito da mansão pode reavivar memórias dos escândalos de corrupção passados sob o governo do Partido Revolucionário Institucional, que comandou o país por 71 anos até perder as eleições em 2000. O partido retornou à Presidência em 2012 com Nieto, um político que ganhou reconhecimento internacional ao implementar grandes reformas. Fonte: Dow Jones Newswires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.