Presidente do México reitera pedido pela paz

O presidente mexicano, Vicente Fox, voltou a pedir uma saída "multilateral" para o conflito com o Iraque e descartou um alinhamento automático com os EUA, seu sócio comercial no acordo de livre comércio (Nafta) que reúne os três países da América do Norte. Fox reiterou a posição mexicana ao receber o primeiro-ministro Jean Chrétien, do Canadá, o terceiro sócio comercial do Nafta - também distante da posição belicista de Washington, que quer a aprovação de uma segundo resolução da ONU para autorizar um ataque ao Iraque. Chrétien se mostrou partidário de trabalhar com o México "como amigos, como iguais e vizinhos dos EUA". Nesse sentido, propôs fortalecer o Nafta e utilizá-lo como modelo para promover o intercâmbio comercial no continente americano e no mundo. Numa óbvia referência ao conflito iraquiano, Chrétien pediu ao México que trabalhe ao lado do Canadá como "bons vizinhos" de Washington, em momentos de conflitos instalados "além das fronteiras continentais" que afetam todos os países. "As questões com que nos defrontamos exigem uma visão ampla, uma mente aberta e um enfoque multilateral a partir de uma perspectiva trilateral", disse Chrétien, ao iniciar uma visita de dois dias ao México.Ao mesmo tempo, em Ottawa, a capital canadense, o ministro da Defesa John McCallum disse nesta quinta-feira que o Canadá não enviará tropas a qualquer guerra no Iraque. Após receber Chrétien, Fox reiterou que seu país, membro não-permanente do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, "está a favor de uma saída multilateral" para o conflito no Iraque e empenhado em "assegurar a paz no mundo".Dessa maneira, Fox voltou a dissipar versões sobre o realinhamento do México com a postura de Washington. Fox destacou a "vocação pacifista" do México e do Canadá em favor de uma solução "que não seja pela via das armas" e sugeriu uma maior "coordenação e diálogo sobre os temas internacionais" entre ambos os países. O México é favorável ao desarmamento do Iraque, mas defende uma saída pacífica para o conflito, em concordância com os enfoques da Alemanha e da França e em oposição à postura mais "dura" dos EUA. No Palácio Nacional, sede das atividades protocolares oficiais do governo mexicano, Chrétiem afirmou que o México é "um dos aliados canadenses na hora de fazer frente a situações de preocupação mundial". Analistas políticos consideram que a missão do primeiro-ministro canadense é a de servir de mediador entre México e EUA para aproximar posições dentro do CS da ONU, apesar de Ottawa não integrar, no momento, esse organismo.

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