Presidente do Paquistão busca apoio na coalizão de governo

O partido do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, que atravessa uma fase de atrito com a poderosa cúpula militar local, pediu nesta sexta-feira manifestações de apoio de seus aliados da coalizão de governo, em meio a crescentes temores sobre a estabilidade do país, que possui armas nucleares.

CHRIS ALLBRITTON E REBECCA CONWAY, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 10h30

Um dos aliados partidários de Zardari propôs ao Parlamento uma moção de confiança que deve ser votada na semana que vem.

Mas o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani foi cauteloso, dizendo que o propósito da moção não é atacar os militares, que governaram o país durante mais de metade dos seus 64 anos de vida independente.

A crise começou por causa da revelação de que um ex-diplomata ligado a Zardari teria enviado um memorando ao Pentágono solicitando que os EUA ajudassem a controlar os ímpetos dos militares paquistaneses.

As relações entre civis e militares mergulharam no seu pior momento desde o golpe militar de 1999. Embora seja improvável que os generais tentem novamente tomar o poder, as hostilidades reforçam a impressão de que as disputas no Paquistão tornem seu governo incapaz de resolver os enormes problemas econômicos, sociais e de segurança do país.

Alguns partidos que participam da coalizão de governo alertaram que Zardari e seus aliados não deveriam pressionar demais os militares. "Vamos apoiar qualquer resolução que leve ao fortalecimento da democracia no país, mas será difícil para nós aprovar qualquer resolução que tenha uma instituição do Estado como alvo", disse um parlamentar da coalizão.

Segundo assessores, Zardari deseja ser lembrado como o presidente que mais se empenhou para promover o governo civil no Paquistão, reduzindo a influência militar.

"Ele é teimoso e cabeça-dura, com um forte senso para a política das ruas", disse um dirigente do partido governista PPP à Reuters. "E ele tem o desejo de deixar um legado como o homem que finalmente usou as urnas para se impor."

Nunca um governo civil cumpriu integralmente seu mandato de cinco anos no Paquistão. Mas talvez Zardari tenha concluído que os generais não têm mais apetite por um golpe.

Fontes militares dizem que, embora desejassem a saída de Zardari, isso deveria ocorrer por meios constitucionais, não com um golpe que manche ainda mais a imagem da democracia paquistanesa.

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