REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Presidente do Parlamento venezuelano diz que governo ordenou invasão a Palácio Legislativo

Havia funcionários da prefeitura de Caracas (controlada pelo chavismo) e candidatos à Constituinte de Maduro, disse Julio Borges à Rádio Unión

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 11h53

CARACAS - O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o opositor Julio Borges, disse nesta quinta-feira, 6, que o ataque de coletivos chavistas ao Parlamento foi ordenado pelo governo do presidente Nicolás Maduro. Ao menos 20 pessoas ficaram feridas na invasão, entre elas sete deputados da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática

"Havia funcionários da prefeitura de Caracas (controlada pelo chavismo) e candidatos à Constituinte de Maduro", disse Borges à Rádio Unión. "Os coletivos foram apoiados pela Guarda Nacional Boliviariana (GNB), ainda que alguns oficiais não estivessem de acordo com a invasão."

Borges advertiu ainda que a invasão é uma amostra do que pode ocorrer na Venezuela após a instalação da Constituinte proposta por Maduro, que, segundo a oposição, tem como objetivo instituir uma ditadura na Venezuela. 

"É um convite para que qualquer louco faça o que tiver vontade como licença do governo", acrescentou. "Na Venezuela e ao redor do mundo Maduro tem cada vez menos apoio."

Maduro condenou a invasão e pediu uma investigação. "Jamais serei cúmplice de nenhum caso de violência. Eu os condeno, ordenei uma investigação e quero que se faça justiça", afirmou Maduro em um desfile cívico-militar em Caracas em comemoração ao Dia da Independência.

Pouco antes dos episódios de violência no Legislativo, o vice-presidente  Tareck el Aissami havia convocado "o povo das ruas" a ir à Assembleia, em um discurso no Parlamento no qual acusou de traidora a maioria opositora e a recriminou por ter "sequestrado" o Parlamento.

Desde 1º de abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, algumas das quais se tornaram violentas e deixaram até agora 91 mortos e mais de mil feridos, segundo o Ministério Público do país. /EFE

 

Mais conteúdo sobre:
Nicolás Maduro Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.