EFE/Ernesto Arias
EFE/Ernesto Arias

Presidente do Peru ameaça retirar renúncia e enfrentar processo de impeachment

Em rede social, Pedro Pablo Kuczynski disse ser inaceitável a possibilidade de o Congresso tentar transformar sua demissão em uma destituição e alegou que, neste caso, enfrentaria o procedimento regular de impeachment e exerceria sua defesa

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 11h44

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, ameaçou nesta sexta-feira, 23, retirar sua carta de renúncia e se submeter a um processo de destituição poucas horas antes de seu sucessor, Martín Vizcarra, fazer o juramento para o cargo no Congresso.

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"Inaceitável a proposta de resolução legislativa do Congresso que tenta apresentar como vacândia (destituição) uma renúncia. Se for assim, retiro minha carte e me submeto ao procedimento regular de vacândia no qual exercerei meu direito de defesa", escreveu Kuczynski no Twitter, dois dias depois de apresentar sua demissão.

Kuczynski, empresário e ex-banqueiro de 79 anos, reagiu depois de partes da resolução que o Legislativo deve aprovar nesta sexta sobre sua saída serem vazadas. O texto diz que o presidente "traiu a pátria no desempenho dos cargos públicos".

O presidente do Congresso, o opositor Luis Galarreta, respondeu dizendo que o documento vazado era um rascunho que sequer foi aprovado pelos porta-vozes das bancadas parlamentares. "É um rascunho que será corrigido. A resolução que será votada (no plenário) não é a que está circulando", declarou Galarreta à rádio RPP.

O Congresso do Peru debateu na quinta-feira a renúncia de Kuczynski e tem programado votar nesta sexta se aceita sua demissão ou se o destitui do cargo.

Após meses na corda bamba devido aos vínculos de empresas ligadas a ele com a construtora Odebrecht, Kuczynski jogou a toalha na quarta-feira, um dia antes de se submeter a um processo de impeachment no Congresso.

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Sua saída foi precipitada pela divulgação de vídeos, insinuando que seu governo estava tentando comprar votos de congressistas para se manter no poder. / AFP

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