Presidencia del Peru/EFE
Presidencia del Peru/EFE

Presidente do Peru presta depoimento ao MP sobre promoções de militares

Pedro Castillo destacou que prestou depoimento na condição de testemunha e respondeu perguntas como parte da investigação preliminar

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2021 | 22h18

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Castillo, prestou depoimento nesta terça-feira, 28, para integrantes do Ministério Público do país, como parte do processo aberto sobre supostas interferências em promoções nas Forças Armadas, que beneficiaram militares ligados ao chefe de governo.

"Nós damos a cara, não fugimos do país, muito menos nos refugiamos em uma embaixada. Temos a consciência limpa, atuamos conforme a lei e os compromissos assumidos com o povo", escreveu Castillo no Twitter, pouco após o fim do encontro com promotores, realizado na sede do governo peruano.

O presidente peruano destacou que prestou depoimento hoje na condição de testemunha e respondeu perguntas como parte da investigação preliminar aberta pelo Ministério Público.

O encontro de Castillo com a Promotoria durou cerca de cinco horas, sem a autorização de registro de imagens. O advogado do presidente, Eduardo Pachas, afirmou após o depoimento que o chefe de governo respondeu a mais de 40 perguntas.

O Procurador-Geral do Estado, Daniel Soria, responsável pela denúncia de supostos crimes de patrocínio ilegal e tráfico de influências em um outro caso, também participou do depoimento e chegou a fazer duas perguntas, conforme Pachas revelou.

Soria, que fez ser aberta investigação sobre a licitação para a construção de uma ponte, disse que Castillo respondeu todas as perguntas por si próprio e que o depoimento aconteceu sem qualquer tipo de problema.

Os integrantes do Ministério Público não informaram o conteúdo das declarações do presidente.

O objetivo do encontro foi determinar o eventual grau de participação que o chefe de governo teve nas supostas pressões para a promoção de militares feitas pelo ex-secretário de governo Bruno Pacheco e o ex-ministro da Defesa Walter Ayala.

O assédio foi denunciado pelos ex-comandantes gerais do Exército José Vizcarra e da Força Aérea Jorge Chaparro, que foram destituídos dos cargos apenas três meses após terem sido nomeados.

Segundo os dois militares, a dispensa das funções aconteceu porque não queriam aceitar os pedidos de Pacheco e Ayala.

Como forma de sustentar a versão, Vizcarrra divulgou uma troca de mensagens em que Castillo pedia para discutir "assuntos urgentes" com o secretário de governo e, em seguida, indicava o nome do comandante Víctor Torres para ser promovido a coronel.

O presidente confirmou a autenticidade das mensagens, mas questionou o contexto do diálogo, garantindo que não teve qualquer intenção de realizar nomeações irregulares ou obter favorecimento.

Os chefes militares foram nomeados por Castillo em agosto. As promoções supostamente promovidas por funcionários do governo não se concretizaram.

Outras investigações 

O Ministério Público, anteriormente, solicitou à emissora local América Televisión" que entregue a gravação completa, sem edição, do vídeo em que Castillo foi flagrado enquanto realizava reuniões sem registro fora da sede de governo.

Entre os interlocutores do presidente está a empresária Karelim López, representante do consórcio que acabou vencendo a licitação para a construção de uma ponte no país.

Ao todo, são três processos abertos pelo Ministério Público contra Castillo, sendo que o chefe de governo não é formalmente acusado em nenhum deles.

Em início de mandato, depois de ter tomado posse em 28 de julho deste ano, o presidente vem sofrendo fortes ataques da oposição de direita, que o considera ilegítimo, depois da vitória nas eleições sobre Keiko Fujimori. Seu mandato termina em 2026. /EFE e AFP 

 

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