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Prensa Presidencia/EFE/ANDINA/
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Presidente do Peru rejeita carta de militares sugerindo golpe de Estado

Em mensagem transmitida em cadeia nacional de televisão, Sagasti afirmou que a carta foi enviada à Procuradoria-Geral da República para que seja investigada

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 21h00

LIMA - O presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, classificou nesta sexta-feira, 18, como inaceitável a carta de um grupo de oficiais militares reformados que pediu ao alto comando das Forças Armadas para não reconhecer Pedro Castillo como presidente eleito, sugerindo um golpe de Estado.

Em uma mensagem exibida em cadeia nacional de televisão junto com a primeira-ministra, Violeta Bermúdez, e a ministra da Defesa, Nuria Esparch, Sagasti anunciou que a carta, que foi divulgada na noite de quinta-feira, foi enviada à Procuradoria-Geral da República para que os procuradores possam prosseguir com as investigações que considerarem apropriadas.

"É inaceitável que um grupo de membros aposentados das Forças Armadas tente incitar oficiais superiores a violar o Estado de Direito. Rejeito esse tipo de comunicações que não só são contrárias aos valores e à institucionalidade democrática, mas também são atos contra a Constituição e as leis", bradou Sagasti.

Com 100% das urnas apuradas, Castillo venceu, com 50,125% dos votos, a direitista Keiko Fujimori, que obteve 49,875%. Contudo, o representante do partido Peru Livre ainda não foi proclamado presidente eleito devido a uma série de recursos interpostos pela concorrente.

"Em uma democracia, as Forças Armadas não são deliberativas, são absolutamente neutras e escrupulosamente respeitosas da Constituição. Custou-nos muito tempo e esforço para construir nossa institucionalidade democrática ao longo de nossos turbulentos 200 anos de vida republicana. Não vamos colocá-lo em risco", frisou o presidente interino.

"Como chefe supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional, garanto neutralidade e exijo que ela seja respeitada. Convoco os cidadãos a permanecerem calmos e serenos nestes tempos difíceis que estamos vivendo alguns dias antes do bicentenário de nossa independência", finalizou.

O diretor para as Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, disse em sua conta no Twitter que todos os peruanos - e especialmente os candidatos, funcionários públicos e membros das forças de segurança - deveriam respeitar os resultados eleitorais a serem anunciados pelas autoridades. “A carta dos militares peruanos é uma afronta inaceitável ao Estado de Direito. O Peru exige que todos os seus líderes defendam as instituições democráticas neste momento. O presidente assumiu a liderança", disse ele.

Longa lista

A carta dos soldados aposentados foi endereçada ao chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas e aos generais de comando do Exército, da Marinha e da Força Aérea. Segundo Sagasti, o documento tinha apenas uma assinatura, seguida por uma lista de nomes supostamente apoiando a comunicação, embora vários deles fossem ex-militares mortos, de acordo com a imprensa local.

A carta convoca a hierarquia militar a não reconhecer a vitória eleitoral de Pedro Castillo devido às acusações de fraude sistemática feitas por Keiko e sua equipe, embora prova alguma tenha sido apresentada. "Teríamos um presidente ilegal e ilegitimamente proclamado", diz a carta, que também aconselha que o Congresso deveria ser chamado "a fornecer uma solução democrática".

A mesma tese é mantida pelo congressista eleito Jorge Montoya, do partido ultraconservador Renovação Popular. Ele é um almirante aposentado da Marinha, que sugeriu esta semana que o novo Congresso, que toma posse em 28 de julho, deveria convocar novas eleições se um novo presidente não tiver sido proclamado até aquela data. A sugestão é ilegal e não é apoiada por lei alguma.

Se isso acontecesse, esse oficial militar aposentado assumiria pelo menos temporariamente o papel de presidente interino, já que foi o parlamentar mais votado. /EFE e AP

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