Presidente do Quênia promete tentar diálogo com adversários

O presidente queniano, Mwai Kibaki, prometeu nesta quarta-feira, 9, se aproximar de líderes rivais para ajudar a encontrar uma solução para a crise política no país que já matou centenas de pessoas. Kibaki disse ao chefe da União Africana (UA), John Kufuor, que deu início a um processo de diálogo com outros líderes quenianos, informou seu gabinete em nota, após a reunião. "Agora que a paz está voltando a estas partes, seu governo parcialmente formado continuará a procurar líderes quenianos, que também serão encorajados a desempenhar o papel de pregar a paz entre seus seguidores", disse a nota. O presidente convidou Raila Odinga para um encontro cara a cara na sexta-feira, mas o líder da oposição recusou a oferta, a menos que haja um mediador internacional presente. Partidários da oposição protestaram na terça-feira na capital Nairóbi e em Kisumu, no oeste do Quênia, depois de o presidente Kibaki nomear 17 novos ministros - nenhum do partido rival. As manifestações minaram as esperanças de que estivesse chegando ao fim o banho de sangue que vem ocorrendo no país desde as eleições do dia 27. Segundo números do governo, mais de 500 quenianos já morreram. A oposição estima as mortes em mais de mil.Kisumu é o principal reduto eleitoral de Raila Odinga, líder do Movimento Democrático Laranja (MDL), que contesta o resultado da votação, na qual Kibaki foi reeleito. Odinga é da etnia luo e Kibaki, da rival kikuyu - que domina os negócios e a política. Segundo a Reuters, um manifestante foi morto pela polícia em Kisumu, onde moradores ergueram barricadas e apedrejaram carros. O MDL criticou o novo gabinete, dizendo que é uma ameaça à negociação que será mediada pelo presidente de Gana, John Kufuor, que chegou na terça a Nairóbi. Kufuor, que passará somente 24 horas no Quênia, também irá se reunir com Odinga.

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