Igor Koovalenko/Efe
Igor Koovalenko/Efe

Presidente do Quirguistão aceita renunciar se sua segurança for garantida

Anúncio ocorre pouco depois de governo provisório privar Bakiyev de imunidade e exigir renúncia

EFE

13 de abril de 2010 | 08h50

MOSCOU - O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, assegurou nesta terça-feira, 13, que renunciará somente se for garantida sua segurança e a de sua família, pouco depois de o governo provisório criado pela oposição anunciar a supressão de sua imunidade.

 

Veja também:

linkSaiba mais sobre o Quirguistão

 

"Renunciarei ao cargo se garantirem minha segurança e a dos meus entres queridos", disse Bakiyev em uma entrevista coletiva realizada na região de Jalalabad, no sul do país, onde está refugiado desde sua deposição, segundo informaram agências russas em Bishkek.

 

Bakiyev foi expulso do palácio presidencial após as forças da oposição tomarem diversos prédio do governo em protestos na semana passada. Desde então, o mandatário se isolou em uma cidade no sul do país e tem sido pressionado para deixar o cargo.

 

O Ministério da Saúde informou que após a morte de outras duas pessoas nos hospitais, subiu para 83 o número de mortos por conta dos violentos choques entre as forças de segurança e os manifestantes opositores na semana passada. O número de feridos já passa dos 1,6 mil.

 

Supressão

 

O governo provisório do Quirguistão anunciou que suspendeu a imunidade de Bakiyev e ameaçou detê-lo se ele não se entregasse em breve.

 

O vice-primeiro-ministro, Azimbek Beknazarov, fez o anúncio na capital quirguiz, Bishkek, após informar às agências que Bakiyev nesta reuniu milhares de seus partidários em Jalalabad, no sul do país, onde está refugiado após a sua derrocada.

 

Beknazarov, ex-procurador-geral desse país da Ásia Central, disse à imprensa que "se Bakiyev não se entregar no final deste comício, os corpos de segurança iniciarão uma operação para detê-lo", segundo a agência Fergana.ru.

 

"Está claro que ele está tentando dividir o país entre sul e norte. Se incitar a uma guerra civil, tomaremos medidas adequadas para detê-lo", assinalou o funcionário, quem lamentou que Bakiyev não tenha tomado a "decisão sensata" de renunciar.

 

Beknazarov também informou que o governo provisório suspendeu a atividade do Tribunal Constitucional, transformado em um "instrumento de poder" de Bakiyev, e destituiu à presidente da Corte Suprema, Dzhamiul Alíeva.

 

Discurso

 

Bakiyev discursou brevemente diante de seus partidários em Jalalabad, onde um de seus assessores disse à agência russa RIA Novosti que o líder deposto contestará o "ultimato" para que se entregue às novas autoridades.

 

O líder insistiu em sua versão de que os opositores que se manifestavam em frente à sede do Governo foram os primeiros a disparar contra as janelas de seu escritório, e que os corpos de segurança só dispararam em resposta quando começou o ataque ao prédio.

 

Bakiyev se mostrou convencido de que o governo provisório não conta com amplo apoio popular da população e minimizou a importância das conversas telefônicas do novo líder quirguiz, Rosa Otunbayeva, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

 

"Uma ligação não significa que Putin ou Hillary apóiam Otunbayeva. Eles não entram em contato comigo porque aqui não conseguem me contatar", afirmou, segundo a agência russa Interfax.

 

Bakiyev, quem há vários dias tinha se mostrado disposto a negociar com o governo provisório sobre as condições de sua renúncia, confirmou no comício que está disposto a conversar com as novas autoridades, mas não detalhou suas exigências.

Tudo o que sabemos sobre:
QuirguistãoBakiyevrenúncia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.