Presidente do Quirguistão renuncia e deixa o país

O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, deixou o país e partiu para o Casaquistão ontem, uma semana após ser derrubado em uma onda de protestos que deixou 83 mortos. Segundo fontes do governo interino, Bakiyev partiu após apresentar oficialmente sua renúncia.

, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

A chefe do governo de facto, Roza Otunbayeva, disse que Bakiyev deve ser julgado pelas acusações de corrupção e nepotismo mesmo se viver fora do país. "O governo interino pretende realizar uma investigação objetiva dos crimes que o ex-presidente é culpado, e apresentaremos um pedido para que ele seja julgado no Quirguistão ou em cortes internacionais", afirmou Roza em comunicado.

Na manhã de ontem, Bakiyev viajou para Osh para participar de uma manifestação, mas um protesto da oposição também estava ocorrendo na cidade. Quando o líder deposto tentou discursar, foi impedido por simpatizantes do governo interino. Seus seguranças dispararam para o alto e retiraram Bakiyev do local.

EUA, Rússia e Casaquistão ajudaram a negociar a saída do líder quirguiz. Testemunhas afirmam que Bakiyev deixou a cidade de Jalalabad, onde estava refugiado desde que deixou a capital, Bishkek, em um avião militar. O Kremlin confirmou que o ministro de Defesa russo arranjou o voo. Autoridades do governo interino afirmam que ele foi acompanhado da mulher e filhos, mas o paradeiro de seus irmãos, também acusados de vários crimes, é desconhecido.

A partida de Bayikev encerrou dias de distúrbios no país asiático, onde os EUA possuem uma base aérea crucial para o envio e abastecimento de tropas para o Afeganistão. Segundo Roza, o governo interino não fez nenhum tipo de negociação direta com o presidente deposto e líderes estrangeiros teriam convencido Bayikev a deixar o país.

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