Presidente do Quirguistão se recusa a admitir derrota

O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, afirmou hoje que não admite a derrota e não vai deixar o cargo, apesar da sangrenta revolta e da formação de um governo interino pela oposição. A resistência de Bakiyev, que fugiu da capital Bishkek, no norte, para o sul do país, eleva a perspectiva de continuidade da instabilidade neste país da Ásia central que abriga tanto uma base aérea norte-americana, importante para a guerra no Afeganistão, quanto instalações militares russas.

AE-AP, Agência Estado

08 de abril de 2010 | 13h33

Os protestos neste montanhoso país, uma ex-república soviética, tiveram início ontem, quando manifestantes invadiram prédios do governo em Bishkek e a polícia respondeu com tiros, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos.

"Eu não admito a derrota de forma alguma", disse Bakiyev à rádio Ekho Moskvy, mas também reconheceu que, "embora eu seja presidente, não tenho o controle real do poder". A oposição do Quirguistão tomou o controle das Forças Armadas do país, após a revolta que derrubou o governo, confirmou hoje o ministro interino da Defesa. Além disso, a líder interina, Roza Otunbayeva, prometeu eleições presidenciais no país em um prazo de seis meses.

"O governo interino está no comando. Essa composição do sistema político funcionará durante seis meses, durante os quais uma nova Constituição será escrita e eleições presidenciais organizadas, de acordo com todas as normas democráticas", afirmou Roza. Ex-ministra das Relações Exteriores, ela assumiu o poder após o presidente Kurmanbek Bakiyev fugir da capital, em meio a distúrbios.

Hoje, Bakiyev afirmou, em entrevista a uma rádio russa, que estava no sul do país e não tinha intenção de fugir do Quirguistão nem de reconhecer sua derrota. O general Ismail Isakov, nomeado hoje ministro da Defesa por Roza, disse que falou com os líderes militares e eles prometeram obediência ao novo governo. "O Exército está inteiramente ao nosso lado", notou ele. "Não houve qualquer problema."

Milhares de manifestantes saíram às ruas da ex-república soviética ontem em uma onda de violentos protestos que terminou com a queda do presidente Kurmanbek Bakiyev. O líder era acusado pela oposição de fomentar a corrupção no país. O Ministério da Saúde contabilizou ontem 75 mortos e cerca de mil feridos nos distúrbios em vários pontos do Quirguistão. Com informações da Dow Jones.

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