Presidente do regime do Khmer Vermelho é preso no Camboja

Khieu Samphan é detido na saída do hospital em que estava internado e pode ser julgado por crimes do regime

Efe e Associated Press,

19 de novembro de 2007 | 03h18

O ex-presidente do Camboja Khieu Samphan, que governou durante o regime do Khmer Vermelho, foi detido nesta segunda-feira, 19, pela polícia local. Ele foi encontrado em um hospital de Phnom Penh, onde estava internado desde a semana passada após sofrer um enfarte.   "Khieu Samphan, o ex-chefe de Estado da Kampuchea Democrática, foi preso", anunciou Reach Sambath, porta-voz do tribunal patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), encarregado de julgar os crimes cometidos pelo grupo maoísta entre 1975 e 1979. Kampuchea Democrática era o nome oficial do Camboja durante o regime do Khmer Vermelho.   Acredita-se que Samphan será julgado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal internacional encarregado de decidir sobre as atrocidades cometidas pelo grupo maoísta.   A detenção do ex-presidente do Camboja acontece uma semana depois de o antigo ministro de Exteriores Ieng Sary e de sua esposa, Ieng Thirith, ex-titular de Assuntos Sociais, serem presos pela polícia local.   Nuon Chea também foi detido em setembro como antigo braço direito de Pol Pot, líder máximo do Khmer Vermelho, morto em 1998 - e Kang Keng Iev, conhecido como "Duch", preso desde 1999 e que dirigiu o notório centro de detenção de presos políticos de Tuol Sleng, em Phnom Penh.   Os defensores da realização do julgamento acreditam que o ex-presidente fornecerá um testemunho vital sobre as ações do Khmer Vermelho, e que sua morte antes de seu depoimento representaria um grande revés para o processo.   Conhecido por suas fortes críticas contra o governo do golpista Lon Nol, Samphan foi um dos fundadores do movimento maoísta e foi leal até o último momento a Pol Pot.   Sempre que era perguntado sobre os massacres, assegurava que "estava ocupado com o trabalho" e que não se deu conta do sangrento que ocorreu durante a revolução.   Há um mês, o Tribunal internacional citou suas três primeiras testemunhas, todas elas cambojanas que trabalharam ou passaram por Tuol Sleng, onde cerca de 14 mil pessoas morreram.   Quase dois milhões de cambojanos perderam a vida durante o regime do Khmer Vermelho, que governou o Camboja de meados de 1975 a princípios de 1979.

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