Presidente do Senado deve assumir governo paquistanês

Pressionado, Musharraf renuncia à Presidência para evitar processo de impeachment ameaçado pela oposição

AE, Agencia Estado

18 de agosto de 2008 | 13h31

Depois de anunciar em pronunciamento transmitido pela televisão que deixaria o cargo, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, enviou sua renúncia ao presidente da Assembléia Nacional (câmara baixa do Parlamento), que acatou imediatamente o pedido. Com a renúncia, a presidência paquistanesa passa a ser ocupada interinamente pelo presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, segundo informou a agência de notícias Press Trust of India nesta segunda-feira, 18.   Veja também: Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09 Coalizão diz que renúncia é vitória do povo EUA apoiarão o Paquistão no combate ao terror, diz Rice Pela Constituição paquistanesa, o presidente do Senado é automaticamente declarado presidente do país caso o cargo fique vago sem que seja necessária uma cerimônia formal de posse. Em seu pronunciamento, Musharraf disse que o país não precisa da confrontação e da instabilidade adicional que seu pendente processo de impeachment traria. "Eu decidi renunciar à Presidência", disse. "Por favor, aceite esta decisão. Eu não estou pensando no nível pessoal, mas no Paquistão primeiro", acrescentou.No pronunciamento, Musharraf, que aliou-se aos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro, defendeu-se da acusação de ter violado a Constituição ao decretar estado de emergência, no ano passado, e afirmou que nunca se opôs à democracia. Fontes próximas a Musharraf indicaram que ele renunciou em troca de garantias de que não será processado. "Nem uma única acusação pode se sustentar contra mim", disse. "Eu não fiz nada por ganho pessoal. Qualquer coisa que eu tenha feito, eu fiz pelo Paquistão", afirmou.   O impasse político e a incerteza em torno de Musharraf haviam afetado os mercados financeiros deste país de 165 milhões de habitantes, que possui armas nucleares. Havia preocupação no exterior de que, diante da crise política, Islamabad estivesse se distraindo do combate à militância islâmica

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