Presidente do Sri Lanka demite ministros. Tropas nas ruas

A presidente do Sri Lanka surpreendeu seus compatriotas, hoje, ao destituir três ministros e colocar o exército nas ruas da capital, Colombo, ações que põem em perigo o frágil processo de paz com os rebeldes tâmeis. Chandrika Kumaratunga, que também é comandante em chefe das Forças Armadas, suspendeu ainda as sessões do parlamento por três semanas. A oposição tem uma maioria de apenas dois parlamentares de uma bancada de 225.Kumaratunga adotou essa atitude de surpresa contra seu rival, o primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe, aproveitando-se do fato de ele estar em Washington, onde deve encontrar-se como o presidente George Buhs.Num comunicado, divulgado na capital americana, Wickremesinghe acusou a presidente de tentar levar o país ?ao caos e à anarquia? e de por em perigo o processo de paz do Sri Lanka.Kumaratunga critica a forma com que Wickremesinghe conduz as negociações com os Tigres Tâmeis, afirmando que ele fez demasiadas concessões sem assegurar-se de que os Tigres abandonarão a luta armada.A presidente demitiu os ministros da Defesa, do Interior e da Informação e assumiu suas funções. Wickremesinghe, porém, continua primeiro-ministro. Efetivos militares foram enviados às emissoras de rádio e TV, controladas pelo Estado, e à principal usina hidrelétrica dos país, pouco depois de anunciar a demissão dos ministros.?As tropas foram para as ruas para evitar incidentes e manter a lei e a ordem?, disse o coronel Sumeda Perera à AP.O escritório da presidência explicou, num comunicado, que os ministros foram destituídos para ?evitar a deterioração da situação de segurança do país?. Kumaratunga, que pertence a um partido diferente do de Wickremesinghe, tem ampla autoridade para destituir o governo e convocar novas eleições.A presidente informou que está disposta a falar com os rebeldes tâmeis ?para encontar uma solução justa e transparente para o conflito étnico?, mas também prometeu manter a lei e a ordem com a ajuda do exército.Wickremesinghe, que, com outros funcionários do Sri Lanka, realizou uma reunião de emergência em Washington, na madrugada de hoje, disse que não retornará a Colombo antes de reunir-se com Bush, amanhã. Sean McCormack, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, confirmou que não há planos para cancelar a reunião.?Respaldamos com firmeza o processo de paz e o fortalecimento das instituições democráticas no Sri Lanka?, disse.Não houve pânico em Colombo, uma cidade de 1,2 milhão de habitantes, que tem sido acossada por anos de ataques suicidas, atentados a bomba e lutas. Cerca de 65.000 morreram na guerra civil.?O país corre o risco de cair em outra guerra, como resultado da intenção da presidente de mudar o governo num momento que o país experimenta, ao menos, uma paz temporária?, disse Kanagalingam Shivajilingam, parlamentar tâmil.

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