Assessoria de imprensa da presidência do Sudão / AP
Assessoria de imprensa da presidência do Sudão / AP

Após 30 anos no poder, presidente do Sudão é destituído e preso por militares

Omar Al-Bashir foi expulso depois que a força militar não conseguiu encerrar quatro meses de protestos que pediam sua saída; ministro da Defesa anunciou estado de emergência e fechamento das fronteiras e do espaço aéreo do país

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 09h00
Atualizado 11 de abril de 2019 | 11h38

CARTUM - O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi destituído do poder e preso nesta quinta-feira, 11, pelo Exército do país após um levante popular, e substituído por um "conselho militar de transição" que dirigira o país por dois anos. "Eu anuncio, como ministro da Defesa, a queda do regime e a detenção em um lugar seguro de seu chefe", afirmou o ministro de Defesa, Awad Mohamed Ahmed, à emissora estatal, acrescentando que a Constituição sudanesa foi suspensa. 

Al-Bashir, de 75 anos, assumiu o poder por meio de um golpe em 1989 apoiado pelos islamistas e, desde então, governou o país com mão de ferro. Ele foi expulso depois que a força militar não conseguiu encerrar quatro meses de protestos em todo o país que pediam sua saída. "O regime caiu, o regime caiu!", comemoraram os sudaneses reunidos no centro da capital Cartum.

"Nós o substituímos por um conselho militar provisório por dois anos e suspendemos a Constituição de 2005 no Sudão", disse Ahmed, ao ler um comunicado. "Anunciamos um estado de emergência em todo o país por três meses e ordenamos o fechamento das fronteiras e do espaço aéreo do país até que um novo anúncio seja feito." Os militares ainda decidiram impor um toque de recolher noturno no território.

Ahmed informou que o conselho militar também declarou um cessar-fogo nacional, que inclui as regiões devastadas pela guerra de Darfur, Nilo Azul e Kordofan do Sul, onde o governo de Al-Bashir lutava há anos contra rebeldes de minorias étnicas.

Durante toda a manhã, uma multidão de sudaneses permaneceu no centro da capital, antecipando o anúncio da destituição do presidente. Contudo, os líderes dos protestos rejeitaram a ação dos militares e prometeram continuar com as manifestações em frente à sede das Forças Armadas em Cartum e em todo o país. "O regime realizou um golpe de Estado militar apresentando os mesmos rostos (...) contra os quais o nosso povo se levantou", disse a Aliança pela Liberdade e a Mudança em um comunicado.

Em pleno marasmo econômico, o Sudão é palco desde dezembro de manifestações motivadas pela decisão do governo de triplicar o preço do pão. A contestação logo se transformou em um movimento que pedia a queda de Al-Bashir, alvo há anos de ações judiciais internacionais. Desde sábado, milhares de manifestantes exigiam, em frente ao quartel-general do Exército, o apoio dos militares.

Pouco antes do anúncio do ministro da Defesa, o serviço de inteligência do Sudão (NISS) havia divulgado a libertação de todos os presos políticos no país, segundo a agência oficial Suna. No total, 49 pessoas morrem em razão da violência ligada às manifestações, segundo responsáveis locais. A ONG Human Rights Watch divulgou recentemente um balanço de 51 mortos, incluindo crianças. 

No poder há 30 anos, Al-Bashir é acusado de crimes de guerra e genocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, por suas ações em Darfur, oeste do país. O conflito na região deixou mais de 300 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados, segundo a ONU/ AFP, Reuters e AP

Tudo o que sabemos sobre:
Sudão [África]Omar Al Bashir

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.