Presidente do Sudão faz 1ª viagem após ordem de prisão

Bashir está na Eritreia, mas não diz se participará de cúpula em Doha; ONU pede que países detenham acusado

Efe e Associated Press,

23 de março de 2009 | 08h48

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, chegou nesta segunda-feira, 23, à Eritreia, uma das nações mais isoladas do mundo. É a primeira viagem internacional de Bashir desde que uma corte internacional divulgou um mandado de prisão, sob a acusação de crimes de guerra em Darfur. A televisão da Eritreia mostrou ao vivo de Bashir desembarcando no aeroporto, na capital Asmara, onde foi recebido pelo presidente Isaias Afwerki. O semioficial Centro de Mídia Sudanesa confirmou que Bashir recebeu um convite da Eritreia.

 

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O Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado na Holanda, expediu em 4 de março um mandado de prisão, para que o líder sudanês responda por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na região de Darfur. O governo de Bashir é acusado de estar por trás de uma milícia árabe, os Janjaweed, na repressão a uma revolta de africanos étnicos em Darfur. A ONU afirma que cerca de 300 mil pessoas morreram e 2,7 milhões foram forçadas a deixar suas casas desde o início do conflito, em 2003. Sob as regras do TPI, os países-membros devem prender os indiciados assim que eles entrarem em seu território. A Eritreia não integra a corte e já se pronunciou contrária ao mandado contra Bashir.

 

O ministro da Informação da Eritreia, Ali Abdu, disse que o presidente sudanês estava acompanhado por membros do seu governo do setor de inteligência e segurança. A visita tem como objetivo discutir a segurança regional, segundo o ministro. O governo da Eritreia qualificou a decisão do TPI como "injustificável", segundo o ministro. Para Ali, o mandado de prisão reflete o domínio de algumas poucas nações sobre o mundo. Poucos países árabes são membros do TPI.

 

Uma pequena nação do Chifre da África, a Eritreia já enfrentou duras críticas dos Estados Unidos e de grupos humanitários por violações aos direitos humanos. O governo norte-americano já avaliou a possibilidade de nomear o país como Estado promotor do terrorismo, por seu envolvimento com milícias insurgentes islamitas na Somália.

 

A viagem do líder sudanês ocorre um dia depois de a Organização de Ulemás do Sudão emitir uma fatwa na qual recomendava ao presidente não viajar a Doha, para participar da cúpula árabe de 30 e 31 de março, a fim de evitar a detenção. Neste sentido, o responsável presidencial disse que o governo sudanês ainda não se pronunciou sobre a viagem do presidente ao Catar para participar da reunião da Liga Árabe.

 

O edito, uma opinião religiosa sem força de lei, soma-se a uma série de recomendações para que Bashir não vá ao encontro. Os religiosos disseram temer que o mandado possa ser cumprido na viagem. Porém o presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que isso não ocorrerá. Bashir foi alvo de condenação quando expulsou 13 organizações humanitárias internacionais de Darfur, em retaliação ao mandado de prisão. Ele acusou os grupos de espionarem para o tribunal e ameaçou expulsar outras entidades.

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