Presidente do Sudão visita Darfur após ser acusado de genocídio

Omar al-Bashir visita região uma semana após ter a prisão pedida pelo Tribunal Penal Internacional

BBC Brasil,

23 de julho de 2008 | 10h38

Durante uma rara visita à região de Darfur, o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, disse nesta quarta-feira, 23, que não está preocupado com as acusações do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra ele. Bashir ainda e afirmou que promotor-chefe que pediu sua prisão, Luis Moreno Ocampo, tenta acabar com o seu governo.   Veja também: Bashir, anfitrião de terroristas, deu sinal verde para massacres  Entenda os conflitos no Sudão   Segundo a BBC, acompanhado de membros do governo e embaixadores, Bashir irá visitar uma série de projetos de ajuda em Darfur, região no oeste do país que é palco de uma guerra civil há cinco anos. Segundo a imprensa local, a visita teria sido organizada para demonstrar apoio popular ao presidente sudanês, que na semana passada teve sua prisão pedida pelo promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, sob a acusação de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur.   "Nós estamos aqui para mandar uma mensagem ao mundo, nós somos um povo de paz, nós queremos a paz, somos nós que fazemos a paz", disse Bashir em um ato popular na cidade de Fasher, a primeira parada de seu giro por Darfur. "A conversa de Ocampo não nos preocupa", disse o presidente sudanês. "Nós sabemos quem está por trás dele e quem o está manipulando."   Bashir é acusado de mobilizar milícias árabes pró-governo para perseguir e massacrar civis africanos em Darfur desde 2003. A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas tenham morrido e mais de 2,5 milhões tenham sido obrigadas a abandonar suas casas desde o início do conflito em Darfur. Segundo o promotor, o "aparato estatal do Sudão" esteve envolvido em uma campanha organizada para atacar civis em Darfur.   O Sudão já disse que não reconhece a autoridade do TPI nem suas decisões. Na semana passada, logo após o anúncio da decisão do TPI, o vice-presidente do Sudão, Ali Osman Taha, disse que as provas eram falsas e sugeriu que o governo sudanês poderia tentar interromper o trabalho do tribunal.   A União Africana pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que suspenda as acusações contra o presidente sudanês, e a Liga Árabe disse que elas abrem um precedente perigoso.   De acordo com a BBC, a visita será uma oportunidade para o presidente sudanês mostrar sua preocupação com a região, e também para que os moradores locais demonstrem sua afeição pelo presidente em cerimônias populares. Durante o ato popular realizado em Fasher nesta quarta-feira, apoiadores do presidente gritavam: "Mentiroso, mentiroso, Ocampo". "Nós vamos continuar a desenvolver Darfur e explorar seu petróleo", disse o presidente ao público. "Eles querem que sejamos lacaios do governo da América", disse Bashir.   Os Estados Unidos não integram o TPI, mas expressaram satisfação pela decisão de Ocampo.

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