Presidente do Timor Leste perdoa líder rebelde

O presidente de Timor Leste, JoséRamos-Horta, gravemente ferido em um atentado em fevereiro,perdoou o líder militar rebelde que liderou o ataque, disse nasegunda-feira o presidente interino do pequeno país, FernandoLasama. Aparentemente, esse anúncio visa a promover a reconciliaçãoe estimular soldados rebeldes a se entregarem. Ramos-Horta foi levado às pressas para Darwin, naAustrália, depois de ser baleado no dia 11 num atentadoliderado pelo ex-militar Alfredo Reinado, que foi morto noincidente. O primeiro-ministro Xanana Gusmão escapou ileso deoutro ataque naquele mesmo dia. Um dos líderes rebeldes, Amaro da Costa, o Susar, seentregou no domingo em Turiscai, 120 quilômetros ao sul deDili, a capital, segundo relato feito em entrevista coletiva nodomingo pelo comandante militar Filomeno Paixão. Há mandados de prisão contra 17 pessoas suspeitas deenvolvimento no ataque, inclusive Gastão Salsinha, que assumiua liderança dos rebeldes depois da morte de Reinado. Na segunda-feira, seis rebeldes se entregaram ao comandomilitar na localidade de Gleno Ermera, 75 quilômetros a oestede Dili, segundo Gusmão. "Gastão Salsinha não se entregou, ainda, mas vai seentregar às autoridades de Timor Leste. Ele virá em breve aDili", afirmou o primeiro-ministro. José Afonço, parente de Salsinha, disse à Reuters que olíder rebelde pode se render na terça-feira.Lasama, o presidente-interino, que visitou Ramos-Horta nohospital em Darwin no fim de semana, afirmou em entrevistacoletiva em Dili que o presidente perdoou Reinado e pediu aogoverno que cuide da família do líder rebelde. "O presidente também pediu às pessoas que acabem com aviolência no país", afirmou Lasama. "A operação contra osrebeldes deve continuar até que os reclamantes e o grupo deSalsinha desistam e entreguem todas as armas", acrescentou. Segundo Lasama, a saúde de Ramos-Horta melhorou, mas eleainda precisa de descanso. "O presidente se recuperou econsegue caminhar, mas ainda precisa de um mês para descansarfora do hospital", explicou. A ex-colônia portuguesa, independente da vizinha Indonésiadesde 2002, continua precisando de uma força internacional paratentar manter sua estabilidade. Na semana passada, o Conselhode Segurança da ONU prorrogou por um ano o mandato da missão depaz.

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