Presidente do Timor pede que Suharto seja perdoado

Ramos-Horta diz que ditador responsável por invasão e violência não deve ser julgado por crimes no país

Agência Estado e Associated Press,

17 de janeiro de 2008 | 13h36

O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, pediu nesta quinta-feira, 17, aos timorenses para perdoarem o ex-ditador indonésio Suharto, que ordenou a invasão ao pequeno país em 1975 e foi responsável por décadas de uma administração que deixou mais de 200 mil mortos. "É impossível esquecer o passado", disse o presidente, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz em 1996 com o bispo Carlos Belo por liderar um movimento pacífico contra a ocupação indonésia. "Mas o Timor Leste deve perdoá-lo antes que ele morra." Suharto foi internado com diagnóstico de anemia e hipotensão dia 4 de janeiro, desenvolvendo em seguida uma infecção sanguínea e tendo a falência dos órgãos decretada. Nos últimos dias, os médicos disseram que sua respiração melhorou e que ele está sendo retirado gradualmente dos aparelhos. "Suharto está em condições críticas", disse Ramos-Horta. "Ele está apenas esperando a decisão de Deus." A Indonésia ocupou o Timor Leste até 1999 quando um plebiscito da Organização das Nações Unidas (ONU) resultou em uma vitória esmagadora pela independência. Alguns especialistas dizem que mais de 200 mil pessoas foram mortas por tropas indonésias ou por doenças relacionadas aos 24 anos de conflito. A ONU mandou uma força de paz para administrar o território por dois anos e meio até transferir o poder aos timorenses, em maio de 2002. Ramos-Horta disse que não acha que Suharto deva ser julgado pelos crimes cometidos no Timor Leste.

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