Presidente do Timor será submetido a 3ª cirurgia após atentado

José Ramos-Horta está internado em hospital australiano, encontra-se em coma induzido e tem 'estado estável'

Efe,

11 de fevereiro de 2008 | 23h38

O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, que na segunda-feira ficou gravemente ferido em ataque contra sua residência, será operado pela terceira vez nas próximas 24 horas num hospital da cidade australiana de Darwin. A segunda cirurgia após o ataque foi realizada nesta segunda, e ele estaria em estado grave, porém estável. Com o pulmão direito comprometido, Ramos-Horta encontra-se em coma induzido e, embora não precise da ajuda de aparelhos, está ligado a uma máquina que facilita sua respiração, disse Len Notaris, um dos médicos que atendem o líder timorense, segundo a rádio "ABC". Notaris afirmou que ainda não está claro se o presidente do Timor Leste, que perdeu muito sangue e precisou de várias transfusões, recebeu dois ou três tiros. Mas fragmentos de bala foram extraídos da região dos ferimentos e já estão sendo periciados. Ainda segundo o médico, os primeiros socorros que Ramos-Horta recebe dos médicos australianos numa base militar em Díli salvaram sua vida e impediram o agravamento de seu estado, que no momento é estável. Ramos-Horta foi levado para a Austrália e internado em estado grave depois de ser baleado em um ataque realizado por um grupo de militares rebeldes. O primeiro-ministro do Timor Leste, Xanana Gusmão, também foi alvo de um atentado, mas conseguiu escapar ileso. Gusmão declarou estado de exceção durante 48 horas e impôs um toque de recolher. O primeiro-ministro também afirmou que os ataques tinham o objetivo de "paralisar o governo e estimular a instabilidade". Ataques Os ataques contra os dois líderes foram realizados por rebeldes ligados ao ex-comandante do Exército Alfredo Reinado, que foi morto a tiros pelos seguranças do presidente. Ramos-Horta, de 58 anos, também é conhecido por ter recebido o prêmio Nobel da Paz. Durante a tentativa de homicídio, houve troca de tiros entre os agressores, que estavam em dois veículos, e os seguranças do chefe de Estado. Na ação, morreram Reinado, um soldado rebelde e um dos guarda-costas do presidente, que também foi baleado em um dos braços. Menos de uma hora depois, Gusmão escapou ileso de uma emboscada armada por um grupo de rebeldes que metralharam veículos oficiais de sua comitiva. "O Estado foi atacado. Considero esse incidente uma tentativa de golpe de Estado perpetrada por Reinado, que falhou", disse o primeiro-ministro, após uma reunião de emergência com seus assessores e funcionários da ONU. Militares rebeldes A tentativa de golpe desta segunda-feira é conseqüência de uma onda de violência iniciada em 2006, quando 599 militares fiéis a Reinado foram expulsos do Exército por iniciarem uma onda de protestos contra a corrupção e o nepotismo na corporação. Os confrontos decorrentes da medida do governo deixaram 37 mortos e mais de 100 mil afetados, e colocaram o país à beira de uma guerra civil. Na época, a crise também obrigou o envio de uma força internacional de paz liderada pela ONU e pela Austrália e causou a demissão do então primeiro-ministro, Mari Alkatiri. Em novembro, Gusmão se reuniu com representantes dos rebeldes, mas, após as conversas, Reinado e seus aliados ameaçaram entrar na capital se não houvesse um acordo até o final do ano. Em janeiro, a Suprema Corte adiou para 4 de março a primeira audiência do julgamento de Reinado e de 17 rebeldes acusados de homicídio e insurreição. A tensão no Timor Leste voltou a se intensificar neste mês, quando rebeldes fiéis ao ex-comandante do Exército atiraram contra um pelotão de soldados australianos que patrulhava as imediações de Díli. Reforços Nesta segunda-feira, a Austrália anunciou o envio de 200 soldados e 50 policiais extras para apoiar os 800 militares em atuação no país."Eles pediram ajuda e nós vamos ajudar", declarou em Canberra o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd. A Nova Zelândia, com 200 soldados e policiais no Timor Leste, se comprometeu a preparar um contingente que irá a Díli caso haja necessidade, anunciou o ministro da Defesa neozelandês, Phil Goff. Após os ataques desta segunda-feira, forças da ONU isolaram prédios públicos e as residências dos membros do governo e estão controlando os acessos à capital. História de conflitos Ex-colônia portuguesa, o Timor Leste foi anexado pela Indonésia na década de 70 e vem sendo palco de violência desde sua independência, em maio de 2002. O país se libertou de 25 anos de domínio indonésio depois de um plebiscito em 1999, e foi colocado sob a proteção das Nações Unidas até 2002. Ramos Horta venceu o Nobel da Paz pelos seus esforços em pela independência do Timor Leste, durante o período em que o Timor esteve sob ocupação da Indonésia. 

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