Stefanie Loos/REUTERS
Stefanie Loos/REUTERS

Presidente do Turcomenistão propõe alcaçuz como remédio contra o coronavírus

País nunca admitiu ter registrado nenhum caso de coronavírus; autoridades recomendam o uso de máscaras oficialmente para proteger a população de 'poeira'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2020 | 09h43

ASHGABAT - O excêntrico presidente do Turcomenistão afirmou neste sábado que o alcaçuz poderia servir como remédio contra o coronavírus, uma suposta nova receita milagrosa promovida por este país isolado da Ásia central, que afirma estar a salvo da pandemia.

"Cientistas de todo o mundo estão pesquisando remédios efetivos para o coronavírus, fazendo muitos estudos, e um deles poderia ser a raiz de alcaçuz", disse Gurbanguly Berdymukhamedov durante uma reunião ministerial. 

Berdymukhamedov afirmou que "o alcaçuz impede o desenvolvimento do coronavírus" e que "mesmo uma concentração baixa de um extrato à base de água de alcaçuz tem um efeito neutralizante", sem apresentar nenhuma evidência científica. 

Depois de afirmar que o Turcomenistão possui "reservas suficientes" de alcaçuz, ele pediu à Academia Nacional de Ciências que organize estudos sobre os supostos efeitos benéficos da planta aromática, também presente na Europa. 

Esta não é a primeira vez que o autoritário presidente do Turcomenistão pede o uso de uma planta medicinal para combater a pandemia, da qual afirma que o país está livre.

Desde março, e sob as recomendações oficiais do presidente, a população recorreu às fumigações de arruda selvagem, uma planta de forte odor e supostas propriedades medicinais.

O presidente do Turcomenistão é um fervoroso defensor de iniciativas que enaltecem a flora e a fauna da ex-república soviética. Desde sua recomendação, o preço da arruda disparou no país. 

Embora as autoridades de saúde de todo o mundo recomendem o uso de máscaras, o distanciamento social e a lavagem regular das mãos, no Turcomenistão foi necessária uma visita de uma delegação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho para a adoção das medidas e o anúncio de restrições públicas. 

O país, no entanto, nunca admitiu ter registrado nenhum caso de coronavírus, mesmo depois que o embaixador do Reino Unido em Ashgabat anunciou que estava com covid-19.

Desde o verão, os estabelecimentos comerciais que não vendem alimentos e os restaurantes estão fechados. O tráfego de trens e ônibus foi limitado. As autoridades recomendam o uso de máscaras oficialmente para proteger a população da "poeira" e de "patógenos" cuja natureza não foi especificada./AFP

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