Presidente do Uruguai veta lei que descriminaliza aborto

O presidente uruguaio Tabaré Vázquez vetou hoje a lei de descriminalização do aborto, que havia sido aprovada na terça-feira pelo Senado após longos e intensos debates. Desde 2005, Vázquez havia antecipado que não toleraria a aprovação do projeto, oficialmente conhecido como Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva, que permitia que qualquer cidadã uruguaia ou residente estrangeira no país pudesse interromper a gravidez nas primeiras doze semanas de gestação. Nas últimas semanas, o presidente uruguaio disse que estava disposto a vetar a lei. Hoje, Vázquez, casado com María Auxiliadora Delgado, católica fervorosa, argumentou que seu veto era realizado por "graves razões filosóficas". O veto foi acompanhado pela rubrica da Ministra de Saúde Pública, María Julia Muñoz.A descriminalização do aborto, segundo diversas pesquisas, conta com o respaldo de mais de 60% da população uruguaia. Estimativas oficiais e de organizações não-governamentais (ONGs) indicam que são realizados 33 mil abortos clandestinos no país anualmente.Agora, o Parlamento conta com um prazo de 30 dias para convocar um plenário conjunto da Câmara de Deputados e do Senado para tentar anular o veto presidencial. Mas, para isso, será necessário que três de cada cinco parlamentares votem a favor da descriminalização do aborto. A lei uruguaia vigente só permite a realização do aborto nos casos de estupro ou de risco de vida da mãe.

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