Presidente e ex-líder rebelde assinam acordo de paz em Moçambique

Documento, possível após um ano e meio de negociações, prevê fim das hostilidades e integração de ex-combatentes ao Exército 

O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 13h41

MAPUTO - O líder da oposição de Moçambique, Afonso Dhlakama, e o presidente do país, Armando Guebuza, ratificaram um acordo de paz na capital nesta sexta-feira, 5, antes das eleições de 15 de outubro encerrando quase dois anos de insurgência guerrilheira.

Dhlakama retornou à capital Maputo na quinta-feira após dois anos na clandestinidade, período em que membros armados de seu partido, a Renamo (Resistência Nacional de Moçambique), ex-grupo guerrilheiro, confrontaram esporadicamente as forças do governo.

A Renamo e a governista Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) assinaram o acordo de paz formalmente na semana passada, o que levou Dhlakama a deixar seu esconderijo na floresta para dar seu endosso pessoal ao acordo e participar das eleições.

Dhlakama e Guebuza assinaram o pacto no palácio presidencial em uma cerimônia na presença de diplomatas e jornalistas. O acordo foi possível após um ano e meio de negociações, confirma o fim das hostilidades e prevê a integração de ex-combatentes da Renamo ao Exército e uma distribuição mais equitativa das riquezas naturais da ex-colônia portuguesa.

A Renamo pediu uma reforma eleitoral antes das eleições, sob o argumento de que no passado houve manipulação a favor da Frelimo. Mas a expectativa é que o partido governista vença as eleições por grande maioria.

Dhlakama reivindicou "o compromisso sincero das forças políticas moçambicanas para consolidar um modelo democrático". "Temos que terminar com o ocorrido nas duas últimas décadas em Moçambique. Quando a paz parecia já instalada e a democracia firmemente instituída, assistimos a uma sistemática concentração de poder em um punhado de privilegiados e o empobrecimento do resto da população."

O governo de Moçambique exigiu a desmilitarização do grupo armado e o presidente moçambicano se mostrou esperançoso. "Até nos momentos de mais desespero, nosso povo soube esperar pacientemente esse dia, consciente de que a solução se encontraria no diálogo e de acordo com nossa Constituição." / EFE e REUTERS

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