Presidente e premiê escapam de ataque a hotel no Paquistão

Jantar do governo foi cancelado horas antes de caminhão explodir; 53 morreram e 266 foram feridos no ataque

Agências internacionais,

22 de setembro de 2008 | 08h14

O presidente paquistanês, o primeiro-ministro e outros membros do gabinete do governo deveriam estar no Hotel Marriott, em Islamabad, atingido por um grande atentado no sábado, segundo afirmou o ministro do Interior Rehman Malik nesta segunda-feira, 22. Pelo menos 53 pessoas morreram e outras 266 foram feridas com a explosão de um caminhão-bomba na entrada do local. Entre os mortos está o embaixador da República Checa, um vietnamita e dois membros do Exército americano que trabalhavam na Embaixada dos EUA em Islamabad.   Veja também: Cônsul afegão é seqüestrado após ataque a veículo no Paquistão Assista ao vídeo  Gustavo Chacra: Paquistão será pesadelo dos EUA    Malik afirmou que os planos para o jantar foram alterados de última hora, mas não disse os motivos para a mudança. Segundo o ministro, a presidente do Parlamento, Fahmida Mirza, planejou o evento para os ministros do governo, para o presidente Asif Alí Zardari - viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto e o primeiro-ministro Youssef Raza Gilani, além de outras autoridades estrangeiras. Mas no último minuto, o presidente pediu para que o jantar fosse realizado na residência do premiê.   "Talvez os terroristas soubessem que o Marriott receberia o jantar com todos os líderes do governo, incluindo o presidente, o premiê e a presidente do Parlamento", disse Malik. Serviços de inteligência do Paquistão e dos EUA culparam a rede terrorista Al-Qaeda pelo ataque de sábado. Segundo funcionários dos governos paquistanês e americano, a sofisticação do atentado mostra que foi um trabalho do grupo. Porém, um grupo islâmico pouco conhecido assumiu a responsabilidade pelo ataque, informou o canal Arabiya nesta segunda. A facção, chamada de Fedayeen Islam (Partidários do Islã), chamou o correspondente da Arabiya na capital paquistanesa e fez várias exigências, entre elas a de que o Paquistão pare de colaborar com os Estados Unidos, segundo a Arabiya.   O governo da Dinamarca informou que um agente do serviço de inteligência do país estava desaparecido. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA outro funcionário da embaixada americana, que estava no hotel, não aparece entre os feridos. Autoridades paquistanesas confirmaram que os terroristas usaram um caminhão com 600 quilos de explosivos, incluindo granadas, morteiros e bombas de fragmentação. A explosão deixou uma cratera de 7 metros de profundidade e 18 metros de diâmetro.   Islamabad qualificou o ataque de "o maior atentado da história do Paquistão". No domingo, o governo paquistanês divulgou imagens de TV, feitas por câmeras do circuito interno do hotel, que mostram um caminhão tentando passar pela barreira de segurança, a cerca de 200 metros do prédio. As imagens mostram uma pequena explosão na cabine do caminhão - provavelmente o motorista, que se explodiu com uma granada -, seguida de um incêndio. Alguns minutos depois, enquanto agentes de segurança tentavam apagar o fogo, o caminhão explodiu, atingindo em cheio o prédio de cinco andares, com 290 quartos.   Sobreviventes disseram que os seguranças do hotel salvaram muitas vidas ao pedirem para que os hóspedes se dirigissem para os fundos do edifício, entre o primeiro incêndio no caminhão e a explosão final. O hotel, o principal da capital e um dos destinos favoritos de turistas, diplomatas, executivos estrangeiros e de políticos paquistaneses, ainda corre o risco de desabar.   Governo   O primeiro-ministro paquistanês disse no domingo que o ataque foi uma tentativa de desestabilizar o país. "Eles querem acabar com a democracia no Paquistão e destruir o país economicamente", disse ele, que assumiu o poder há seis meses, após nove anos de governo do ex-general Pervez Musharraf. O ataque ocorreu horas depois de o novo presidente do país, Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada num atentado no ano passado, ter feito seu primeiro discurso no Parlamento e prometido extirpar do país o terrorismo.   Zardari qualificou o atentado de covarde. "Isso é uma epidemia, um câncer que nós vamos eliminar do Paquistão", disse ele em um pronunciamento na TV. "Não podemos ter medo desses covardes." O presidente dos EUA, George W. Bush, também condenou o atentado. "Esse ataque é uma lembrança das ameaças que ainda pesam sobre o Paquistão, os EUA e todos aqueles que lutam contra o terrorismo", disse Bush, que está em Nova York para sua última reunião da Assembléia-Geral da ONU.   Matéria atualizada às 13 horas.

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