Issouf Sanogo/Arquivo/AFP
Issouf Sanogo/Arquivo/AFP

Presidente e primeiro-ministro da Guiné-Bissau estão presos

Segundo fontes do Exército, Raimundo Pereira e Carlos Gomes estão detidos em centros militares

Efe,

13 de abril de 2012 | 15h46

BISSAU - O presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, estão presos em centros militares, confirmaram nesta sexta-feira, 13, à agência Efe, fontes militares guineanas. Segundo as mesmas fontes, Pereira está detido no quartel que abriga a sede do Estado-Maior em Bissau, enquanto Gomes foi levado a um centro de formação militar situado na cidade de San Vicente, a pouco mais de 40 quilômetros da capital.

 

Os dois foram presos durante a tentativa golpista realizada no fim de quinta-feira, na qual foram atacadas as casas dos dirigentes em Bissau. Gomes era favorito para ganhar as eleições presidenciais de 29 de abril. O Exército guineano convocou nesta sexta uma reunião com os responsáveis pelos principais partidos políticos para tentar buscar uma saída para a crise.

 

Além disso, segundo a Efe, a rádio nacional reatou a emissão de músicas revolucionárias da época da luta armada contra a colonização portuguesa e emitiu um comunicado militar no qual convocou os partidos a uma reunião na sede do Estado-Maior. A tentativa de golpe de Estado da noite de quinta-feira, na qual os militares invadiram os centros de poder civil, acontece quando o país se encontra em pleno processo eleitoral.

 

Segundo turno adiado

 

Guiné-Bissau tinha previsto realizar o segundo turno de suas eleições presidenciais no dia 22 de abril, mas o pleito foi adiado pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), que não deu razão alguma para isso. Nesta sexta-feira começaria a campanha eleitoral para o segundo turno, que duraria até 27 de abril.

 

Na primeira etapa das eleições, em 18 de março, Gomes teve 48,97% dos votos, e seu adversário, Kumba Ialá, conseguiu 23,26%. Os números levaram os candidatos a uma segunda disputa nas urnas. No entanto, Ialá, da mesma forma que outros quatro candidatos do primeiro turno, rejeitou estes resultados e denunciou "fraudes maciças", se negando a participar do segundo turno.

 

As eleições foram convocadas após a morte, em janeiro, do então chefe de Estado, Malam Bacai Sanha, em um hospital de Paris. Os golpes militares na ex-colônia portuguesa foram uma constante nos últimos anos e refletem a instabilidade política do país, que se transformou em um importante local de passagem do tráfico de drogas que chegam à Europa procedentes da América Latina.

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