Presidente egípcio adia eleições municipais

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, assinou no domingo um decreto que estende por dois anos o mandato de 4.500 conselheiros municipais, numa clara manobra para evitar que seu partido, o Nacional Democrático (PND), enfrente nas urnas os representantes do grupo islâmico Irmandade Muçulmana. O governo alegou que decidiu adiar as eleições porque ainda está em discussão uma lei para modificar as administrações municipais.O decreto de Mubarak foi endossado pelo Conselho da Shura, como o Congresso é chamado no Egito. Os conselhos municipais são responsáveis por serviços públicos em cidades e vilas. Na grande maioria, os conselheiros são membros do PND ou pertences a grupos políticos que apóiam Mubarak. O mandato dos conselheiros foi estendido, nesta legislatura, de quatro para seis anos. Com isso, Mubarak espera ganhar tempo para subjugar a crescente oposição da Irmandade, que nas eleições parlamentares de dezembro ampliou de 15 para 88 suas cadeiras no Congresso. O PND conquistou 311 das 454 cadeiras."Eles estão tentando impedir novas vitórias nossas. Que outro motivo teriam para adiar as eleições?", indagou Essam Mukhtar, parlamentar ligado à Irmandade. Como esse grupo é proibido de formar um partido político e disputar eleições, seus militantes disputam como candidatos independentes. A Irmandade conseguiu ampliar em sete vezes sua bancada na eleição de dezembro apesar da forte repressão policial, especialmente nas cidades e bairros onde tem forte apoio popular.Políticos ligados à Irmandade apresentaram na Assembléia do Povo um projeto limitando o adiamento das eleições em apenas seis meses.

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