Presidente eleito acompanhará saída de Zelaya de Honduras

Porfirio Lobo disse ter tentado entrar em contato com Lula para pedir reconhecimento do governo.

Caio Quero, BBC

26 de janeiro de 2010 | 23h15

O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, deu mais detalhes nesta terça-feira sobre como deve funcionar a operação que permitirá que o mandatário deposto do país, Manuel Zelaya, deixe a embaixada brasileira em Tegucigalpa para seguir para a República Dominicana.

Em uma entrevista coletiva em um hotel em Tegucigalpa, Lobo afirmou que ele próprio fará parte da comitiva que irá até a representação diplomática brasileira para acompanhar Zelaya até o aeroporto, na próxima quarta-feira.

Segundo Lobo, além dele, acompanharão Zelaya em sua saída os presidentes Álvaro Colom, da Guatemala, e Leonel Fernández, da República Dominicana.

"O presidente Fernández, o presidente Colom e eu iremos à embaixada do Brasil para levar o presidente Zelaya ao aeroporto, para que ele possa sair", disse.

Zelaya está abrigado na representação brasileira em Tegucigalpa desde o último dia 21 de setembro, quando voltou secretamente ao país depois de ter sido deposto, em junho ano passado.

Durante a entrevista coletiva, Lobo, que será empossado no cargo nesta quarta-feira, afirmou que o salvo-conduto que irá conceder para que Zelaya deixe a embaixada "tem a intenção de dar um tratamento digno ao presidente".

"Para nosso governo, ter um presidente preso em uma embaixada, não pode ser, não é justo nem digno para um presidente", disse.

Segundo o presidente eleito, o salvo-conduto para Zelaya teria amparo "legal e constitucional". Ele também afirmou ter conversado com os chefes do Judiciário de do Ministério Público hondurenho, que têm se mostrado críticos ao plano de um salvo-conduto.

Lula

Durante a coletiva, Lobo também falou sobre as gestões que tem feito para tentar convencer a comunidade internacional a reconhecer seu governo.

Diversos países, entre eles o Brasil, cortaram relações diplomáticas com Honduras após a deposição de Zelaya, não reconhecendo nem mesmo o pleito de 29 de novembro, quando Lobo foi eleito o novo presidente.

De acordo com Lobo, ele teria tentado entrar em contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de negociar o reconhecimento ao seu governo, mas não teria conseguido falar com o brasileiro.

Ele atribuiu o insucesso à diferença de fusos horários entre Tegucigalpa e Brasília, que é de atualmente quatro horas.

A posição oficial do governo brasileiro em relação à nova adminstração de Honduras é a de não reconhecimento.

Em declarações dadas à Agência Brasil na semana passada, no entanto, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, sinalizou que o governo brasileiro pode rever sua posição em relação à nova administração hondurenha.

"Vamos levar esse assunto para a reunião do Grupo do Rio, que será em Cancún (México) no mês que vem. Estamos analisando os acontecimentos em Honduras e mantemos nossa posição de repudiar o golpe de Estado que houve lá", disse Garcia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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