Presidente eleito de Taiwan buscará acordo com a China

Em coletiva, Ma Ying-jeou afirma que pretende firmar negociação com a China sobre a situação da ilha

Efe,

23 de março de 2008 | 12h32

O presidente eleito de Taiwan, Ma Ying-jeou, rejeitou neste domingo, 23, o uso da "diplomacia do dólar" nas relações com os aliados políticos de Taipé, e disse, em entrevista coletiva, que buscará um acordo com a China sobre a situação internacional da ilha.  Veja também:Relações com China e Tibete afetam eleição em TaiwanOposição taiuanesa é a favorita em eleições Após ser eleito neste sábado, 22, com 58% dos votos, em um pleito sob a sombra da China, com o cenário de fundo dos protestos no Tibete e a atenta patrulha de navios de guerra americanos, Ma detalhou suas políticas futuras. "Continuaremos a ajuda os países do Terceiro Mundo, especialmente nossos aliados diplomáticos, com projetos que os ajudem, mas não utilizaremos a diplomacia do talão de cheque para benefício de indivíduos ou grupos particulares", disse Ma, na coletiva. O carismático ex-prefeito de Taipé esclareceu que não só dará importância à política externa, mas também pretende melhorar os laços com a China, já que, sem isso, é muito difícil que a ilha tenha margem de manobra internacional. "Nossa política será a de oferecer ajuda aos aliados, ao mesmo tempo em que tentamos resolver as diferenças com a China, buscando um consenso pragmático sobre o espaço internacional da ilha", afirmou. O dirigente do opositor Partido Kuomintang (KMT), que chega ao poder após oito anos de governo independentista do presidente Chen Shui-bian, deu detalhes sobre o tipo de ajuda que oferecerá. "No caso africano, a transferência de tecnologia intermediária pode ser muito benéfica, mas os projetos serão muito variados", disse Ma. A China não será um destino imediato para os planos de viagem de Ma, que visa mais aos países asiáticos e ocidentais, a fim de melhorar os laços bilaterais. "O importante não são as visitas de altos funcionários, que muitas vezes apenas lidam com formalismos, mas conseguir acordos substanciais", disse o dirigente do KMT. Em relação à China, Ma quer começar com assuntos menos polêmicos e mais ligados à melhora da economia da ilha, que sofre uma estagnação há alguns anos. "O importante é resolver os problemas urgentes do transporte direto, da chegada de turistas chineses à ilha e a entrada das entidades financeiras da ilha na China", declarou. A mensagem obtida nas dezenas de perguntas e respostas em sua primeira entrevista coletiva com a imprensa internacional foi a do pragmatismo e da flexibilidade. Na realidade, segundo muitos observadores políticos da ilha, as posturas de Pequim e Taipé ainda estão muito distantes, e não existe possibilidade de acordo se expressarem claramente suas posturas. Pequim exige que Taiwan aceite que é parte da China, enquanto o ambiente político e social da ilha tornam impossível que Taipé aceite pertencer à China, controlada por um Governo comunista. Ma mostrou sua disponibilidade para aceitar que a ilha faz parte da China, mas uma China que não é a comunista, criando fórmulas ambíguas que podem servir de ponte para iniciar diálogos. Na coletiva, o presidente eleito de Taiwan também abandonou a terminologia do atual governo, que chama a ilha de República da China (Taiwan), e voltou ao República da China em Taiwan, que reconhece a origem chinesa da ilha. A flexibilidade terminológica de Ma facilitará o início do diálogo com a China, mas seu plano de assinar um acordo de paz com Pequim e negociar maior espaço de manobra internacional para a ilha seja uma tarefa árdua. "É um tema difícil, mas que devemos enfrentar, porque está na raiz de muitos de nossos problemas", disse Ma, em referência à negociação com a China para poder entrar em organismos internacionais e expandir os laços bilaterais. Atualmente, a China bloqueia a entrada de Taiwan não só na ONU, mas também na Organização Mundial da Saúde (OMS) e nestes dias também na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ma, consciente das diferenças ideológicas entre Taipé e Pequim, propõe um "acordo baseado no pragmatismo" que melhore a situação internacional da ilha, sem excessiva insistência em aspectos ideológicos ou formais. "Acordo e paz sem sacrificar a dignidade nacional", sentenciou o político do KMT. Ma venceu as eleições presidenciais deste sábado com cerca de 58% dos votos sobre seu adversário, Frank Hsieh, do governante e independentista Partido Democrata Progressista (PDP).

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