Amdre Lessa/AE
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Presidente eleito do México fará 'ajuste' em combate a cartéis

Enrique Peña Nieto diz que não negociará com traficantes e pretende usar 'todas as forças' contra crime organizado

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h08

SÃO PAULO - O presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), afirmou na quarta-feira, 19, que após tomar posse de seu cargo, em 1.º de dezembro, pretende fazer "ajustes" à política de combate ao crime organizado em seu país - que nos últimos anos, durante o governo de Felipe Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), deixou cerca de 50 mil mortos no território mexicano.

 

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Em entrevista coletiva, após se reunir com empresários brasileiros na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Peña Nieto negou que membros de seu partido tenham feito pactos com os cartéis de narcotraficantes que atuam no México para manter a paz no país durante os 71 anos em que a legenda esteve à frente da presidência - acusação a que ele teve de responder frequentemente durante sua campanha.

"Essas declarações foram dadas em um clima eleitoral de desqualificação. Não têm sustentação nenhuma", disse o presidente eleito. Políticos priistas também são suspeitos de praticar corrupção em conluio com cartéis mexicanos.

Peña Nieto afirmou que sua política para coibir o narcotráfico será de combate e não envolverá negociações com bandidos. "O Estado tem por obrigação irrenunciável combater o crime organizado. Não cabem aí modelos de negociação nem de acordo, mas de fazer prevalecer a lei e combater com todas as forças o crime organizado."

"Planejei ajustes para a estratégia que o governo tem seguido para obter melhores resultados, mais eficácia e oferecer à população condições de paz e segurança." O presidente lamentou as mortes dos deputados estaduais priistas Eduardo Castro Luque e Jaime Serrano Cedillo, assassinados no México respectivamente na sexta-feira e no domingo. "Pedimos às autoridades que realizem as investigações correspondentes para identificar os responsáveis por esses fatos lamentáveis, que realmente condenamos."

Hoje, Peña Nieto deverá se reunir com a presidente Dilma Rousseff em Brasília. O mexicano evitou adiantar com detalhes o assunto que tratará com sua colega, afirmando que, como na conversa com os empresários, buscará uma "maior integração" entre os países. O presidente eleito disse estar otimista quanto à aprovação no Congresso da reforma trabalhista que pretende aplicar, criticada no México porque afetaria a autonomia dos sindicatos.

Peña Nieto já passou por Guatemala e Colômbia em seu giro latino-americano, que deverá continuar por Argentina, Chile e Peru. O mexicano afirmou que, em seguida, tem intenção de ir à Europa. Os EUA, maior parceiro comercial do México, o presidente deve visitar em novembro, segundo ele para não influir no processo eleitoral americano.

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