Lisa Marie David/Pool/AFP
Lisa Marie David/Pool/AFP

Presidente filipino anuncia aposentadoria política

Rodrigo Duterte afirmou que não disputará eleições de 2022, abrindo caminho para candidatura da filha

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 11h04

MANILA - O presidente filipino Rodrigo Duterte anunciou neste sábado, 2, sua aposentadoria política, afirmando que não disputará as eleições de 2022, o que abre caminho para uma candidatura de sua filha ao posto de chefe de Estado. O anúncio foi considerado uma surpresa, já que Duterte havia anteriomente anunciado que concorreria à vice-presidência em 2022.

Em discurso, Duterte citou uma pesquisa recente que revelou que a maioria dos filipinos acreditava que sua candidatura seria inconstitucional. “Portanto, em obediência à vontade das pessoas que afinal me colocaram na presidência há muitos anos, agora digo aos meus conterrâneos: vou seguir o que vocês quiserem e hoje anuncio minha aposentadoria da política”, disse ele.

Duterte, um populista linha-dura que é mais conhecido por sua política de guerra às drogas que deixou milhares de mortos, já havia afirmado uma vez que se aposentaria da política. Ele fez um pronunciamento semelhante pouco antes de se candidatar à presidência em 2016.

O senador e ex-assessor do presidente Christopher Lawrence “Bong” Go assumirá seu lugar na chapa de 2022. Uma facção do partido no poder, PDP-Laban, já havia endossado Go como uma aposta presidencial, com Duterte no cargo de vice. Go não aceitou categoricamente a indicação, mas seu movimento para substituir Duterte no segundo cargo mais alto do país abre espaço para uma parceria com outro candidato presidencial.

Muitos pensam que será a filha de Duterte, a prefeita de Davao, Sara Duterte-Carpio, que está liderando as pesquisas pré-eleitorais. Anteriormente, ela e o pai se revezavam nas candidaturas a prefeito e deputado em sua cidade natal, assumindo o lugar um do outro quando o limite de três mandatos era atingido.

Duterte-Carpio disse anteriormente que havia concordado que apenas um deles concorreria a uma posição nacional. Mas antes que a tarde terminasse, ela apresentou sua candidatura para outro mandato como prefeita de Davao -- colocando em dúvida as previsões.

Duterte manteve uma popularidade recorde incomum para um presidente, apesar das críticas sobre sua resposta à pandemia e histórico de direitos humanos. A dupla pai-filha Duterte liderou anteriormente uma pesquisa pré-eleitoral da Pulse Asia Research, mas, no mês passado, o pai caiu para o segundo favorito, com a maioria preferindo o presidente do Senado, Vicente Sotto, para vice-presidente.

O período de candidatura para as eleições do próximo ano começou nesta sexta-feira, 1, e vai até 8 de outubro. Os candidatos podem ser substituídos por suplentes até meados de novembro -- deixando a possibilidade de Duterte-Carpio se apresentar.

Duterte não pode concorrer à presidência novamente, pois a constituição limita o cargo a um único mandato de seis anos. Mas, enquanto o Tribunal Penal Internacional investiga o presidente por crimes contra a humanidade cometidos sob sua supervisão, Duterte permanecer em uma posição de liderança ou ter um aliado ali seria necessário para sua "sobrevivência política", disse o analista Julio Teehankee.

Outros comentaristas também esperam uma possível parceria com Ferdinand "Bongbong" Marcos Jr., filho de um falecido ditador de mesmo nome. A família Marcos, que governou por duas décadas em um período repleto de corrupção e abusos de direitos humanos, manteve-se ativa na política local. Especialistas e historiadores dizem que sua busca contínua por cargos públicos, assim como as campanhas de desinformação nas redes sociais, são tentativas de reabilitar a imagem de sua família.

Duterte é investigado por possíveis crimes contra a humanidade durante sua violenta guerra contra o tráfico de drogas. Embora reiterasse incessantemente que não houve campanha para matar ilegalmente usuários ou traficantes de drogas, em seus discursos ele incitou a violência e, anteriormente, havia incentivado a polícia a matar suspeitos se suas vidas estivessem em perigo.

"Se você descobrir que há viciados, vá matá-los você mesmo, porque deixar seus pais fazerem isso seria muito doloroso", disse Duterte horas depois de tomar posse como presidente em junho de 2016.

Os dados oficiais mais recentes mostram que pelo menos 6.181 pessoas morreram em mais de 200 mil operações contra as drogas no arquipélago asiático desde 2016, mas os ativistas dos direitos humanos consideram que os números reais são muito superiores. /AFP e WP

 

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