AP Photo/Aaron Favila
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Presidente filipino diz que matou uma pessoa a facadas quando tinha 16 anos

Em um discurso de defesa de sua guerra contras as drogas, ameaçou ‘esbofetear’ a enviada especial da ONU sobre execuções sumárias ou arbitrárias, Agnès Callamard

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 11h03

DANANG, VIETNÃ - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou ter matado uma pessoa a facadas quando era adolescente, em um discurso em defesa de sua guerra contra as drogas, à margem do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizado no Vietnã.

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Em declarações para a comunidade filipina da cidade vietnamita de Danang na quinta-feira 9, Duterte também ameaçou "esbofetear" Agnès Callamard, enviada especial da ONU sobre execuções sumárias ou arbitrárias. Além disso, chamou de "filhos da p***" os que criticam sua campanha de repressão contra o tráfico de drogas.

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"Quando eu era adolescente, entrava e saía da prisão, por brigas", afirmou o mandatário filipino, em um discurso em Danang, onde participa da cúpula da Apec. "Com 16 anos, matei alguém. Uma pessoa de verdade, em uma briga, a punhaladas. Eu tinha apenas 16 anos. Foi por um simples olhar. Quanto mais agora que sou presidente?"

Duterte, de 72 anos, foi eleito em 2016 após prometer que erradicaria o narcotráfico no país, eliminando 100 mil supostos traficantes e usuários de drogas.

Desde a sua chegada ao poder, há 16 meses, a polícia anunciou ter matado 3.967 pessoas. Outras 2.290 morreram em casos vinculados a drogas. Milhares de pessoas perderam a vida em circunstâncias ainda não esclarecidas, segundo os dados da polícia.

O presidente continua muito popular no país, onde muitos estimam que a segurança melhorou.

Contudo, seus opositores, nas Filipinas e no exterior, acusam-no de orquestrar execuções extrajudiciais em massa, cometidas por policiais corruptos e milicianos. Duterte nega incitar os agentes ao assassinato, mas regularmente faz declarações públicas nesse sentido.

Campanha

Em 2016, o líder afirmou que "ficaria feliz em matar três milhões de dependentes químicos". Na época, qualificou o então presidente americano, Barack Obama, de "filho da p***" por tê-lo criticado por sua repressão.

Em dezembro, declarou que havia matado pessoalmente alguns suspeitos para dar o exemplo à polícia quando foi prefeito de Davao, cidade do sul das Filipinas. Na ocasião, seu porta-voz tentou esclarecer suas palavras, indicando que esses assassinatos foram cometidos durante uma "operação legítima da polícia".

A revista Esquire já havia publicado uma entrevista com Duterte, quando ainda não era presidente, em que ele indicava que "talvez" tivesse matado alguém a facadas quando tinha 17 anos.

Em sua campanha eleitoral, ele contou que foi expulso da faculdade depois de ter atirado contra um estudante que o insultou. A vítima sobreviveu, segundo a imprensa. Frequentemente, Duterte pede aos jornalistas que não levem tudo “ao pé da letra”, ressaltando que gosta de empregar "hipérboles".

Seu novo porta-voz, Harry Roque, explicou que suas novas declarações poderiam ser exageradas. "Acredito que foi uma brincadeira. O presidente sempre usa uma linguagem colorida quando está com Pinoys (filipinos) no exterior.” / AFP

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