AFP PHOTO / POOL / Ahn Young-joon
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Duterte pressiona mulher casada a beijá-lo na boca em ato público e recebe críticas

Ato foi chamado de machista e intimidador; presidente filipino já foi condenado por declarações misóginas

O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 10h39

MANILA, FILIPINAS - O presidente filipino Rodrigo Duterte gerou controvérsia ao pressionar uma mulher casada a beijá-lo na boca diante de milhares de apoiadores no domingo, 3. A cena aconteceu durante um ato público com trabalhadores filipinos da Coreia do Sul. Duterte chamou a mulher ao palco para lhe dar um livro.

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O incidente aconteceu ao final de um discurso de duas horas, quando o presidente ofereceu um livro à multidão e apontou para duas mulheres. "Há um pagamento por isso, um beijo. Você, de branco. Você está pronta para ser beijada? Venha aqui", disse o presidente, de 73 anos, a uma das mulheres no palco. A primeira mulher deu um beijo no rosto do presidente. A outra, de branco, pegou sua mão e colocou na testa, um gesto tradicional de respeito a um idoso. No entanto, ele a pediu para se aproximar e lhe dar um beijo, apontando para seus lábios.

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Enquanto a multidão gritava, o presidente perguntou se a mulher era casada, se o marido estava por perto e se ela seria capaz de explicar que o que estavam prestes a fazer era apenas uma piada. Ela respondeu que o marido não estava presente e que poderia explicar o ato. "Deixe-o com ciúmes", declarou Duterte. Então se inclinou e beijou a mulher, que se manteve imóvel, e depois gritou e cobriu o rosto. "Não leve isso a sério", disse o líder, mais tarde, à multidão. "É apenas para dar diversão às pessoas."

Enquanto a mulher defendeu o beijo e disse que ficou emocionada com o encontro, outros disseram que o presidente foi longe demais. Um senador chamou o ato de "exibição desprezível de sexismo e grave abuso de autoridade". A senadora Risa Hontiveros também criticou. "O presidente Duterte agiu como um rei feudal que acha que ser presidente tem o direito de fazer qualquer coisa que lhe agrade". Ela pediu que o público filipino não julgue a mulher. "Mesmo se o ato foi consensual, foi o presidente, possuidor de poder impressionante e intimidador, que o iniciou." O partido esquerdista Gabriela também condenou o ato, que afirmou ressaltar o "machismo e a misoginia" do presidente. "O espetáculo machista e alarmante faz com que os avanços sexuais contra as mulheres pareçam corretos", declarou o partido.

Além das críticas crescentes sobre sua repressão sangrenta às drogas ilegais, que já matou centenas de suspeitos, Duterte também é criticado por comentários sexistas, como quando disse que as tropas deveriam atirar nos órgãos genitais de guerrilheiras, durante um discurso contra as guerrilhas comunistas. / AP 

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