Ludovic Marin/Reuters
Ludovic Marin/Reuters

Presidente francês diz que Otan está em estado de 'morte cerebral'

Em entrevista à revista 'The Economist', Emmanuel Macron diz que não há coordenação na tomada de decisões estratégicas entre EUA e seus aliados e questiona artigo que estabelece que ataque contra um Estado-membro é considerado um ataque contra todos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2019 | 12h03

PARIS - O presidente francês, Emmanuel Macron, considera que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se encontra em estado de "morte cerebral" pela falta de coordenação entre Europa e Estados Unidos e as ações agressivas na Síria por parte da Turquia, um de seus membros-chave.

"O que estamos vivendo atualmente é a morte cerebral da Otan", declarou Macron à revista The Economist, em entrevista publicada nesta quinta-feira, 7.

"Não há nenhuma coordenação na tomada de decisões estratégicas entre Estados Unidos e seus aliados da Otan. Nenhuma. Há uma ação agressiva, descoordenada, de outro aliado da Otan, a Turquia, em uma zona em que nossos interesses estão em jogo", completou Macron.

"Devemos esclarecer quais são as finalidades estratégicas da Otan", disse o chefe de Estado francês, a menos de um mês da reunião de cúpula da organização em Londres.

Macron também falou durante a entrevista sobre suas dúvidas a respeito do futuro do artigo 5 da Otan, que estabelece que um ataque contra um Estado-membro da organização é considerado um ataque contra todos.

"O que significará o artigo 5 amanhã? Se o regime de Bashar Assad decidir adotar represálias contra a Turquia, vamos nos comprometer com eles? É uma pergunta crucial", disse Macron.

"Entramos no conflito para lutar contra o 'Daesh' (acrônimo árabe do grupo Estado Islâmico). O paradoxo é que tanto a decisão americana como a ofensiva turca apresentaram o mesmo resultado: sacrificar nossos sócios que lutaram contra o Daesh no campo de batalha, as Forças Democráticas Sírias", afirmou o presidente francês, ao se referir à milícia curda que foi instrumental na derrota do EI.

"Do ponto de vista estratégico e político, o que está acontecendo é um grande problema para a Otan", acrescentou Macron, que considera essencial que a defesa europeia seja "mais autônoma em termos de estratégia e capacidade militar". Nesse sentido, ele também defendeu a retomada do diálogo estratégico com a Rússia. / AFP

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