Presidente francês mantém silêncio sobre planos eleitorais

O presidente francês, Jacques Chirac, prometeu neste domingo, 31, participar ativamente do próximo debate eleitoral, sem, no entanto, indicar se vai ou não se candidatar a um terceiro mandato presidencial, o que seria sem precedentes.Em seu tradicional discurso de fim de ano à nação, Chirac disse que a França enfrenta um ano vital e precisa de um debate aberto e democrático sobre o seu futuro."Estarei totalmente comprometido com isso", disse Chirac no discurso, que foi televisionado, prometendo que seu governo continuará trabalhando muito até a eleição de 22 de abril.O presidente vem se recusando a descartar a possibilidade de se candidatar, afirmando que vai revelar seu jogo apenas no primeiro trimestre de 2007.Com desempenho fraco nas pesquisas de opinião, depois de quase 12 anos no poder, é muito pouco provável que Chirac se candidate, mas ao se manter calado sobre o seu futuro, ele espera evitar se tornar irrelevante no palco político.Essa reticência irritou o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que no domingo foi nomeado candidato pelo seu partido, a conservadora União para um Movimento Popular (UMP).Chirac, 74, falou sobre o que considera as principais questões eleitorais da França, afirmando que o país tem que se manter unido no apoio aos seus tradicionais valores humanistas, defender o ambiente e lutar pelo progresso econômico e social.Também disse que todos na França devem ter o direito a uma moradia e exortou o governo a fazer mais nessa área."Sim, podemos nos orgulhar de sermos franceses. Vamos seguir os nossos esforços de modernização (e) não tentar imitar outros. Sejamos nós mesmos", disse.Na eleição presidencial de 2002, o líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen surpreendeu a França ao chegar ao segundo turno, depois de ter mais votos que o candidato do Partido Socialista.Chirac acabou com ele no segundo turno, mas o resultado foi considerado como um triunfo da extrema direita e as pesquisas de opinião sugerem que Le Pen vai ter mais um bom desempenho em abril.Chirac nunca perdoou Sarkozy por ter apoiado um rival direitista na eleição presidencial de 1995. Analistas políticos acreditam que ele provavelmente não vai apoiar Sarkozy com todo o seu peso político.As pesquisas mostram Sarkozy em uma disputa acirrada com a candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal, que tenta se tornar a primeira mulher a presidir a França atrai e eleitores com a sua aparência jovem e glamourosa.

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